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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

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Dúvidas Cor de Rosa

09
Ago17

Cenas mas das boas


Filipa

O homem está a fazer polvo à lagareiro.

Ao cozê-lo, numa panela com tampa, encheu-me o chão da cozinha com água cor de vinho. O chão, o forno, o armário ao lado e o tapete. Fora essa panela, já sujou mais umas quantas. Fora os garfos extra que vai tirando da gaveta à medida que vai precisando de um, porque toda a gente sabe que um garfo só pode ser utilizado uma única vez.

Já vejo uma pilha de loiça no lava-loiça, o fogão está um nojo e a última vez que entrei na cozinha, a fingir que ia beber água só naquela de apreciar o caos, era todo um chavascal e um drama porque agora vai ficar com as mãos a cheirar a alho e é sempre lindo ver um marmanjão de metro e noventa a descascar uma cabeça de alho com as pontinhas dos dedos.

Se não tinha sido melhor seguirmos o meu plano original que era o de eu orientar umas salsichas e umas batatinhas fritas?

Com ovo estrelado, claro. Afinal sou uma cozinheira de mão cheia, não deixo os meus créditos por mãos alheias.

07
Ago17

Uma data de coizas embrulhadas umas nazoutras por causa que acho que as pessoas querem saber da merda que vomito


Carla, a empregada doméstica

Eu acho que não deviam de falar daquela mama que apareceu com a pessoa à mostra por causa que as maminhas são como as vacas na indía, singradas. Penseim que não avia mamiferos se não tivessem sido as mamas que de três em três horas -ás vezes menos- saciaram fomes, sedes e afins. Penseim que não avia decotes, se não fossem as mamas das pessoas, não avia pirciengues nas mamas se não ouvessem as mamas, não avia sequer mamitos se não ouvessem as mamas. Isto é grave, porque a gente sabemos que as mamas são as nossas melhores amigas, não castrem as mamas, deixem as mamas irem à bola, mesmo que teinham que deixar as mulheres em casa! Se as mamas não quizerem aparecer nos jornais e nas informações, basta que assinem uma declaração. Por outro lado veijo em todo o lado as pessoas a julgarem o Ronaldo e os seus filhos, os da última encomenda, não os outros. Acho muinto bem que ele compre os filhos. Não veijo ninguém a amandar pedras a quem compra casacos em vez de os fabricar. Os tiares estão caros e os mais em conta estão esgotados, para além disso, o acabamento não é o mesmo. Á que perceber as motivações das pessoas. Para ele é mais acertado encomendar os filhos, para mim é mais acertado ir bus-cá-los ao caixote do lixo. De que lado está o certo e o enrrado? Quem é a saciedade para me jugular? A mesma saciedade que vai enxer as praias do Algarve de biatas, de sacos de lixo e de cagalhões caninos? A mesma saciedade que me obriga a beber pirulitos de água do mar com um travo a xixi de cão e a encher a toalha de areia e pêlos de cães de raça rafeiro? não me parece. Ou agora além de não se poder comprar animais domésticos on-line também não podemos comprar bebés, míudos e assim? Não seijem mais papistas que o papa, deixem o nosso menino de ouro encomendar no ebay o que quiser. Com uma bocadinho de sorte encomenda uma irmã que faça alguma coiza bem feita ou assim. Por falar nisso, odeio, mas odeio mesmo as pessoas que não gostam de gays. Ou é das que gostam? Ai, já me embaralhei toda. Olhem, odeio cebola na salada, odeio mesmo, pronto. E odeio não comentar a saciedade, é uma coisa que me inrrita, aver tanto para comentar e eu não ter jeito tempo nenhum para fazer-o. Á quem chame a isto de "limitação", e voçês o que dizem?

 

12
Jul17

cenas


Filipa

Hoje, numa rua de dois sentidos mas cheia de carros estacionados em ambos os lados, tive um quid pro quo com um senhor. Sucede que hoje vinha cheia de paciência e até acabou por esta interacção ser profícua, conforme se aperceberão no decorrer desta ocorrência.

Portanto, eu ia a descer a rua e ele a subir, o carro imediatamente à frente dele parou num lugar de estacionamento livre para que eu (e o resto dos carros atrás de mim) pudesse passar e este senhor começou aos gritos (de vidro fechado, claro). Pedi que abrisse, uma vez que estava bastante curiosa com o monólogo e já agora também queria saber porque raio o senhor estava tão furioso consigo mesmo. Ele abriu e ´ssassim:

"- esta malta nova não percebe nada de código da estrada, ó caralho".

Devo dizer que logo aqui conquistou o meu carinho; não são todos os dias que me chamam de jovem. Depois, tremendamente chocada com a afirmação, indaguei logo:

"AH!!! Mas que disparate, onde é que já se viu?!!! Então e o que é que esta malta nova não sabe do código?" (ele, que já espumava):

"-Tão não sabes que quem desce tem de dar passagem a quem sobe? Vai mas é prá escola, caralho!"

Percebi que tinha enviado sinais inequívocos de que era uma pessoa de confiança, de que comigo estaria seguro e que a nossa relação tinha subido de nível optando, por isso, por uma forma de se dirigir a mim mais informal. Sorri de novo e com toda a calma que me caracteriza e dá a conhecer, disse qualquer coisa como:

"-O senhor tem de se acalmar, olhe essa sua veia aí quase, quase a rebentar. Vamos lá por partes, então o senhor não tem a sua faixa com obstáculo? Eu não tenho também? E que tal sermos calmos e bem-educados e, civilizadamente, irmos dando passagem uns aos outros? Assim chegamos todos a horas para o jantar. Bom, não é? Pronto, agora vá lá e acalme-se que assim não chega a velho." E arranquei. Chegada a casa e apesar de ter poucas dúvidas, a primeira coisa que fiz foi ir consultar o código da estrada e percebi que ele é que deveria ter cedido a passagem. Larguei logo um "eu sabia!!" e fiquei com o asneiredo todo, que devia ter saído por mor das maneiras daquela ameba, presas no gorgomilo.

Ser civilizada, calma e ponderada faz-me mal ao coração.

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