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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

ontem foi dia 17 mas podia muito bem ter sido dia 13

Novembro 18, 2015

Filipa

 

Ontem foi o dia mundial do não fumador e eu deixei de fumar vai para cima de uma porrada de meses. Nunca fui uma fumadora daquelas à seria. Se estivesse em casa e não tivesse tabaco, não havia drama, não se fumava, não era o fim do mundo, não era a última coisa que fazia antes de ir dormir nem a primeira ao acordar.

Muitas das vezes deitava metade dos cigarros fora porque não me sabiam bem. Comecei já tarde -por volta dos 24 anos- e um maço durava uma série de dias. "Não importa as desculpas que arranje, a Filipa é fumadora" dizia-me sempre o médico quando começava com esta ladainha.

Eu encolhia os ombros e deixava-o falar.

Nos entretantos fui fazendo algumas pausas, mais ou menos longas, conforme a situação que as provocava: ou porque decidia que já chegava, ou porque estava grávida, ou porque estava a amamentar e por muito tempo que passasse, voltava sempre, mesmo que as primeiras passas me soubessem e fizessem horrivelmente mal.

Não há ninguém mais estúpido do que um fumador, eu sei e eu, chica-esperta, com a mania que deixava quando quisesse devido à tal sensação de total controlo sobre o vício, continuava a fumar. Deixei de o fazer no exacto dia em que soube que o meu pai tinha cancro no pulmão.

Lembro-me perfeitamente de ter mandado meio maço fora e pensado: "pá, chega!".

Está, portanto, a fazer um ano de não fumadora e não, nada de recaídas, nada de apetites. Não percebi, contudo, grandes diferenças físicas enquanto não fumadora. A comida sempre me soube bem, sempre tive um nariz de descobrir o mais discreto dos cheiros, o apetite não alterou, nada de tosse, nada de expectoração, nada de nada, parece que nunca fumei.

O meu pai morreu de pneumonia.

Não resistiu devido ao facto de ter cancro no pulmão.

Que entretanto passou para o outro pulmão.

Que entretanto passou para a traqueia.

Que entretanto se instalou no fígado.

E na coluna.

E nos ossos.

E na cabeça.

Durante mais de trinta anos fumou dois maços de tabaco por dia, apesar de ter deixado o vício sete anos antes de falecer.

Em três semanas, metade de mim -a melhor- morreu e viu morrer o homem mais importante da minha vida.

Em três semanas, uma vida de tabaco que pouco mais do que satisfação momentânea nos dá, arrasou com um homem que entrou no hospital pelo seu pé com uma dor nas costas, ali na zona lombar que não o deixava dormir. De dia para dia uma qualquer faculdade ficava para trás: num dia deixou de conseguir andar, no dia seguinte foi-se a capacidade de controlar as necessidades fisiológicas, no outro de se alimentar e por aí foi.

Em três semanas descobri que era capaz de desenvolver esperança quando os médicos me mostravam os braços desmaiados: se está um pulmão afectado, temos o outro. Se já está na traqueia, tira-se o bocado afectado. Está no fígado? Tira-se um bocadinho, faz-se um transplante.

Sabem lá o discernimento que o desespero nos tira.

Sabem lá.

E os médicos a falarem em tratamento paliativo e eu a encolher os ombros e a dizer-lhe estes gajos são parvos, deixa-os falar.

Em três semanas descobri em mim a capacidade de ir buscar esperanças até às apneias que o meu pai, finalmente, começou a fazer, num prognóstico claro demais para todos, menos para mim. Aqueles minutos em que não ouvia o seu respirar, em que o meu coração parava e em que eu própria deixava de respirar, aqueles minutos que não queriam passar, eram os mesmos em que eu abanava o meu pai e lhe dizia vá, respira. Perdi a conta às vezes que disse isto.

Vá, respira.

E abanava-o.

E ele parecia, naqueles minutos em que não respirava, que já não estava ali, que já tinha ido e eu não sabia se estava preparada para não o ouvir regressar. E quando recomeçava, olhava para mim e é esse olhar, essa expressão que todos os dias recordo, a de quem não quer ir mas que já não consegue ficar, a de quem não quer largar os filhos, os netos, a vida, mas que prefere ir porque as dores lhe chegaram à alma.

Lutou sempre, como me ensinou a lutar por aquilo que quero, naquilo em que acredito, mesmo que esteja tudo errado.

Não baixou os braços como fizeram os médicos e enfermeiros. Não baixámos os braços e todos os dias lhe levava a única coisa que conseguia ir buscar à puta da minha dor: a esperança. Talvez o tenha engando por ter agido assim e por isso ter criado algumas falsas espectativas, não sei. O que sei é que sem essa esperança, eu não tinha conseguido. Aliás, eu ainda não consegui.

Passado meia hora de ter saído do hospital, naquele dia 13 que podia muito bem ter sido o dia de ontem, ligaram-me e metade morreu-me no mesmo minuto. 

 

 

 

Não fumo há um ano mas não estou, não estamos livres de nada. E é por isso que certas merdas que leio me enervam, que me apetece muito perguntar a quem escreve os pequenos pedaços de merda que me esbofeteiam a puta da inteligência, a quem faz posts de merda em parceria com hospitais da treta,  que relativizam a doença como se estivéssemos a falar de donuts ou das férias no algarve, se são mesmo assim estúpidos ou se andam a praticar.

Ou quem faz posts a contar histórias de pessoas lutadoras, que não se deixaram vencer pela doença, que foram à luta e mataram o cancro, bloggers esses que, pelo meio, publicitam uma merda qualquer. Apetece mesmo perguntar se acham que os outros, os que não tiveram a sorte de cá ficar, terão encolhido os ombros e dito: "pá, por acaso agora não me dava muito jeito, mas como já tenho cancro, olha, vou baixar os braços, aproveito a boleia e deixo-me ir. Assim fico já despachado"?

Esta merda de não haver limites na publicidade nos blogues, começa a roçar ali a falta de respeito, sobretudo para quem já passou ou está a passar, de alguma forma, pelas situações.

Claramente que não é o caso das bloggers em questão, senão nunca falariam do assunto desta forma tão pornograficamente despicienda e tão estupidamente irracional.

Ontem foi o dia mundial do não fumador e eu tinha mesmo que falar sobre o meu pai. 

 

 

ora bem, lá a ver:

Novembro 13, 2015

Filipa

Os meus chinchilas tiveram uma chinchilinha, a Rita.

Ontem à noite era a altura de juntar a mãe e a cria, ao pai que têm de permanecer separados desde o parto até uns dias depois, uma vez que a fêmea fica imediatamente com o cio mal pare.

Este intróito para dizer que mais valia ter estado quieta.

A puta da chinchila teve um piripaco qualquer e ia tudo a eito com aquelas favolas medonhas. Mordia-me a mim, ao meu gajo, ao macho, ao filho mais velho, à bebé e eu aflita, a chorar, ai a bebé, aquilo é sangue?, ai que já há sangue por todo o lado, o meu gajo agarrado ao dedo, peneleiro dum cabrão, pá, só me enerva, a gaja trepava pela gaiola, ninguém conseguia agarrar naquele meio kg mal cagado e eu já aos gritos -reparem que isto eram, se a minha memória fraca e cansada não me falha, umas duas da manhã, que é a hora que as boas ideias me costumam bater- manda-me já essa puta pela janela, olha a bebé, toda eu baba e ranho, finalmente consigo pegar em baby Rita que, assustada, se aninha na curva do meu pescoço -ó glória!, finalmente tenho qualquer coisa que se me aninha no pescoço!- 30 graminhas de fofura assustados, molhada da saliva daquela merda de mãe que se passou com sabe deus o quê, e cujo instinto foi matar tudo e todos.

Furiosa, vou buscar uma gaiola minúscula, de transporte, calço as luvas do jardim, agarro naquele cagalhão e espeto com ela lá para dentro, fecho-a na garagem e volto para casa, onde seco a pequenina, enquanto o meu gajo procura um hospital veterinário que perceba de chinchilas -pá, está aqui um nicho jeitoso, ninguém percebe disto, incrível os veterinários da minha zona, acho que nem nunca tinham ouvido falar em tão raro bicho- que nos mostra o melhor dos cenários : tapete de aquecimento, feno cortadinho e leite de cabra de três em três horas. E mesmo assim é provável que não viva.

A baby Rita tem uma semana e 30 gramas. E estou aqui com ela ao colo, a aquecê-la. O pai dela é pai e mãe, lá nisso teve sorte. Mas a mãe continua passada, mal se abre a porta da garagem, começa logo aos coices, a gaiola chega a sair do sítio, deve-lhe ter subido o parto à cabeça, não sei. Claro que o meu gajo está aqui cheio de pena dela, a arranjar maneira de a introduzir na família outra vez, quando eu só quero mesmo é que a gaja de foda (estejam descansadas, puritanas de merda, os meus filhos não vão ler isto, nem eu vou ter necessidade de apagar posts antigos para não correr esse risco, caaaaaalma, muuuuita calma). A baby Rita chora baixinho a falta da mãe, num choro inconsolável que nunca tinha ouvido numa chinchila e nem quando está com o pai se cala.

Não sei se baby Rita vai sobreviver, o que sei é que não quero a mãe dela em casa. Não consigo olhar para ela da mesma maneira. Sei que mais uma vez estou em trabalhos por causa dos meus animais, a noite passada foi linda, esta noite vai ser linda e as que aí vêm, enfim. De três em três um de nós levanta o cu da cama, enche a seringa de leite de cabra previamente amornado e está ali até a pequena beber aquilo. Depois é pô-la ao pé do pai, esperar que ela se meta debaixo dele para aquecer e voltar para a cama. E depois a nossa vida de pais, trabalhadores, companheiros e eu, blogger, que esta merda parecendo que não, ainda me consome.

Ficarei imensamente feliz se baby Rita sobreviver, estamos todos a fazer por isso. Se não sobreviver, alguém que me venha cá dizer para eu ter juízo, que é só uma chinchila, que as coisas são como são e não é por me ter acontecido a mim que faz deste episódio, o acontecimento do ano.

 

Obrigada.

 

 

Hoje fiquei em casa e devidamente sintonizada na tvi, vejo uma reportagem sobre a tropa.

Novembro 13, 2015

Filipa

e a primeira entrevistada é uma mulher. Diz que pensou em desistir na segunda semana porque tinha de andar com os botões todos apertados e com o cabelo sempre preso, cheio de ganchos.

 

 

(pausa para respirar fundo e não cair na tentação de perguntar porque é que será que as mulheres têm determinados direitos.

Pronto, já está)

 

 

Não sei quem decidiu permitir que as mulheres mantenham as suas longas melenas, enquanto os homens se sujeitam a carecadas totais, mas e devido ao que este exemplo demonstra e faz prever, pergunto-me o que caralho farão na tropa que não pudesse ser feito em casa, encostadas a um tanque ou a um fogão a gás.

 

 

Queridas leitoras, tenham cuidado ao abrir o link, não vão levar com um par de mamas mal amanhado na mona

Novembro 12, 2015

Filipa

"Se eu sei quem é a  dona desta merda de blog, parto-lhe o queixo em três , os dois braços e pernas, fica tipo frango no churrasco. Víbora, és uma cobra, não admira que não deixes a Maria em paz, ela é muito mas muito superior a ti, e quanto a a selos, tu sabes lá para que servem sua lontra.

Não sou superior, supero-me."

 

Como sei que o que está na moda é editar posts, aqui está a prova em como faço cópias que é uma maravilha:

 

 

Amigas, eu não tenho agenda para vos conhecer a todas, lamento, gostava muito mas não dá mesmo. Era um sonho tornado realidade conhecer tanta gente interessante do ponto de vista intelectual, mas não dá mesmo. Soides mais do que as mães.

Consegui, com muito boa vontade, enfiar a maria num buraquinho pequenino que entretanto se abriu no dia 15 de Janeiro de 2016. O máximo que posso fazer por ti, Pinkota, e isto sem qualquer tipo de compromisso uma vez que não sei se a maria vai nessa, é enfiar-te no mesmo buraquinho, mesmo dia, mesma hora. Bebes um cafézinho e tal, e enquanto a maria me arrasa com o seu distinto advogado, tiras umas fotos das tuas mamocas numas poses sexys para postares no teu blog -que caturreira, esse teu hobby- e depois de ela me despachar, entras tu em cena, para me partires as pernas, os braços e tudo o mais que te apeteça partir, parece-te bem? Leva é ajuda, é que uma pessoa que apregoa ser assim tão doente, sempre cheia de dores, não deve conseguir dar a volta a uma lontra como eu em tempo útil. Leva a passadeira. Assim dás-me com ela na tola e arrumamos logo o assunto. Boa ideia, não é?

Vamos esquecer que isto é crime -ora vai lá perguntar ao advogado da mary- e que eu as vezes até sou pessoa para me aborrecer quando sou ameaçada e vamos lá ao que interessa:

Dia 15/01/2016, às 10h no Marquês?

 

Leio por aí coisas destas e esbugalho bué os olhos #9

Novembro 12, 2015

Filipa

*(...)Eu conheço o blogue dela, mas confesso que não sou a maior fã (...) 

 

**"Não a sabia perita em maquilhagem"

 

Estou magoada, sabem?

Foi como uma garfada nas costas, um pontapé nos tomates, caso tivesse nascido com um par deles, uma chapada no focinho, uma cabeçada na cana do nariz, um soco na boca, uma paralítica na coxa, uma amona que ultrapassa os limites do pânico, uma canelada com uma botas ortopédicas, acho que já deu para perceber, que leio os comentários de alguém que frequenta este blogue e que até era alguém por quem eu sentia alguma estima:

 

"(...)Olha, vou-te recomendar o blog Dúvidas Cor de Rosa da Filipa Brás. A tipa é bruta que nem um comboio desgovernado mas sabe a rodos da cena. Dá imensas dicas, todas boas. E acho que por mail também te pode ajudar. Mas não garanto atenção... :)" (*sugestão que origina a primeira frase da minha não-fã)

 

Há mais. A maldade humana não tem, de facto, limites:

 

"Ela é bruta que nem um camião TIR mas dá boas ideias... Não é para se gostar dela. É mesmo para aprender..." (**frase que origina a segunda frase da minha não-fã)

 

Não sei se estão bem a ver a dimensão da gravidade da situação, nem eu estou a ver forma de recuperar disto.

Por um lado, descubro que existe alguém, uma pessoa com sentimentos, de carne e osso, uma blogger que não é minha fã e que não me dá a mínima hipótese de me redimir, fazendo o que estivesse ao meu alcance, qualquer coisa, just name it, para que começasse a olhar para mim com outro olhos e assim, juntinhas, fazíamos desabrochar um intercambio gostoso de comentários fofos e selinhos amorosos. Reparem que a criatura nem sequer me sabia "perita em maquilhagem", ora foda-se!, afinal tanto trabalho para este não reconhecimento todo? Esta blogger está, claramente descontente comigo e eu perdida, sem um sinal, um alerta que me guie pelo nevoeiro deste desprezo todo.

Por outro, descubro que um leitor -sim, é um homem, vis traidores, quem é que se lembrou de os inventar, por Pan?- não só acha que não passo de uma besta quadrada capaz de trucidar quem se me atravesse os humores, como me considera burra que nem um tijolo de seis, ao ponto de achar que este blog serve para dar conselhos de borla a qualquer uma.

Portanto, não há problema em não se gostar de uma blogger mas, aparentemente, podemos usá-la em nosso próprio proveito, não é lindo?

 

Esta blogoesfera anda linda. Ai anda, anda.

 

 

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