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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

2016 -ainda agora começou e o que já para aqui vai.

Janeiro 04, 2016

Filipa

Por motivos, ainda não foi desta que virei o ano em NY.

Não se pode ter tudo e no último mês de 2015 surgiu uma coisa de carácter urgente e, parecendo que não, há prioridades, cedências têm de ser feitas e mais uma vez NY ficou para trás, para o ano quem sabe? 

 

Maneiras que agarrei no homem, numa garrafa de champanhe e ala ver os fogos, imaginem o cenário e percebam como toda eu fervilhava de romantismo: fogos de artificio rebentando em forma de coração atrás de nós enquanto nos beijávamos e eu levantava o meu pé direito, calcanhar em direcção ao rabo, ao mesmo tempo que ele me agarrava pela cintura para depois, cabeça com cabeça, assistirmos ao resto do espectáculo de lágrimas nos olhos, pedindo ao alguém que anda lá em cima a brincar com esta merda toda que a cada estoiro, o nosso ano fosse isso mesmo: cada mês, cada estoiro de bom, de feliz, de saúde e de tudo o que eu acho que todos merecemos. Todos mesmo que nestas alturas não há cá lugares para ódios nem rancores.

Primeiro fomos para a nossa zona mas Cascais está velho. Tudo sentadinho nos bancos de mantinhas nos joelhos, tudo virado para a praia escura como a merda à espera dos fogos, aquela roda gigante ridícula sem jeito nenhum, carros estacionados até à quinta casa, pá, aquilo começou a ferver-me o nervo, andor para Lisboa e em boa hora o fiz, correu mesmo bem, ora reparem:

-Duas horas para deixar o carro no bairro alto, o bairro mais nojento do mundo. Daí à praça do comércio é um pulinho a pé, começou logo aí a minha disposição para o amor, para o romantismo e o caralho.

-quando lá cheguei ia-me cagando toda com a possibilidade de o mundo estar a acabar e o único barco que havia de salvar meia dúzia de nós estar prestes a chegar. Eu a pensar que ir ver os fogos era programa mais que ultrapassado e vai-se a ver e 150 mil pessoas tiveram a mesma ideia, só românticos, todo um Portugal na praça do comércio a ver aqueles três minutos de barulho ensurdecedor. Tanto que ainda agora não oiço a mais nova a chorar.

- Depois nem queria acreditar na música que me ia fechar o ano, quem é que merece que o ano lhe acabe ao som de Luís Represas? Se fosse a música da abertura do novo ano já estava eu aqui a banhos de sal com medo do que aí estava por vir.

-fumei um charro por interposta pessoa. Tinha uma casal ao lado em que o elemento masculino chorava copiosamente com o espectáculo pirotécnico enquanto detinha o seu braço esquerdo em cima dos ombros de sua dama. Sucede que na mão desse mesmo braço residia um charro, mas um senhor charro. Um senhor presidente charro. Um charro que, se passado pelos 150 mil, ainda sobrava para os mitras do Bairro alto que ajudavam ("ajudavam" ah ah ah que engraçada que hoje estou, para o que me havia de dar) o pessoal a estacionar. O gajo tinha ali charro até ao último dia de 2016. E agora a melhor parte, quem é que estava mesmo ao lado, coladinha a este casal maravilha, quem era? eu mesma, pois claro. Fiquei com uma broa tal que me perdi do meu gajo e nem quis nem saber. Agarrei-me a um matulão de metro e noventa e se não fosse o telemóvel a vibrar insistentemente no bolso das calças, a esta hora estava, provavelmente, a caminho da Ucrânia, a ser vendida à peça.

-a juventude de hoje em dia é uma merda. São  mal educados, não respeitam nada nem ninguém, atropelam toda a gente, crianças, velhos, mais-ou-menos velhos -eu-,tudo à frente que a juventude tem pressas. Eu tinha vergonha que um filho meu se portasse assim em público, enchia-o de pancada, de cinto nas costas, de cadeira no lombo, de pontapés na cabeça. Os pais de hoje são uma merda que não educam os filhos porque têm mais que fazer. Acham que devem delegar a educação talvez, digo eu, a eles próprios ou aos professores que não gostam de ser avaliados, e depois saem-me estes trolls que levam tudo à frente e por "tudo" entenda-se uma Filipa num chão cheio de vidros, cheio de cerveja ou lá o que era aquela merda, de pessoas que quase a esmagavam, que as pessoas, quando termina uma passagem de ano tendem a portar-se como se de manadas de elefantes a fugir da savana em chamas se tratassem. Felizmente que estava sóbria dos nervos o suficiente para ter reconhecido a fuça da bêbeda que a mandou ao chão porque estava com pressa para qualquer coisa bué importante como, errr... ir ali, e dar-lhe duas boas educações de cinco dedos cada, que lhe deviam ter sido dadas em casa. Por isso, minha menina que no dia seguinte acordaste com a tromba a ferver com uns belos dedos marcados, fui eu, aquela criatura que parecia possuída, que te enchi a tromba de chapadões. Manda aí o número da tua mãe que tenho aqui mais para ela. Soube mesmo bem, fiquei logo com outra disposição. Apesar de toda cortada, a sangrar e a cheirar a bêbeda.

-o meu gajo não pode comigo. Pedi-lhe, pega-me lá ao colo que eu quero ver se o fogo do lado de lá do rio é melhor do que o nosso e o gajo pegou e daí a um segundo, ai que não aguento, ai que não posso. Então ao menos põe-me às cavalitas, pronto. Ai que me dói o pescoço, ai que não posso. Opá, assim não vamos a lado nenhum, já o avisei, ou vais para o ginásio ou então não sei. É que nenhuma das minhas resoluções de 2016 passa por fazer dieta.

-pousei a garrafa do champanheco no chão para colocar o telemóvel na mala e quando me baixo para a apanhar pimba!, roubaram-me a puta da garrafa. Isto tudo ainda ao som de Luís Represas, han?, atenção, um mal nunca, mas nunca vem só.

-não ouvi a contagem, gosto sempre de contar do dez ao zero porque tenho sempre dez cenas a pedir para todos os que amo: saúde, saúde, saúde, saúde, saúde, saúde, saúde, saúde, saúde e saúde, mas este ano não houve cá contagem para ninguém, ou se houve, olhem, estava cá demasiado concentrada em manter-me com os pés bem assentes no chão para prestar atenção a contagens. Tinha o rio à minha frente, não podia facilitar. Mais!, se não fosse o meu gajo a puxar-me para o lado (estúpido que até me aleijou no braço, fartinho de saber que ao mínimo toque fico logo toda negra), haviam de saber de mim pelo programa do Goucha, porque a esta hora estava eu toda fodida, numa cama de um hospital qualquer -provavelmente e porque eu em certas coisas tenho imensa sorte, o de amadora-sintra, que havia de aproveitar a minha estadia para me sacar um rim ou assim- porque do meio daqueles milhares de pessoas completamente ensandecidas com tamanho fino reveillon, brota uma ambulância do chão com marcha de urgência assinalada -já eu estava surda dos fogos- com o objectivo de...pois, não sei, à frente, só rio e fogos e gajas bêbedas muito concentradas a enfiarem-me os cotovelos nas costelas, maneiras que o meu gajo lá me puxou mesmo a tempo de eu não apanhar boleia da ambulância pelos piores motivos, sempre queria ver quanto tempo íamos demorar a atravessar a praça do comercio toda. É que o pessoal bêbedo ouvia as sirenes da ambulância e devia pensar que era a roulotte dos couratos, até se mandavam para debaixo dela, só visto. 

- a esta hora já o Luís Represas -que ninguém sabia muito bem o que é que tinha ido ali fazer. Nem ele próprio- tinha dado ao slide e apercebo-me de um reggae, assim como que ao longe. Foi a gota de água. Mais do que na hora de acabar com aquela palhaçada toda, metemo-nos a caminho. Inverso. Ou seja, tivemos a mesma ideia que aproximadamente 145 mil pessoas tiveram. As cinco mil que aqui faltam, eram os gajos que estavam a apanhar as canas, as gajas bêbedas a dormir no chão, os dois polícias que vi durante toda a noite, os gajos da ambulância e acho que não me estou a esquecer de ninguém.

- finalmente chegamos ao carro e hora e meia depois entro em casa.

- vejo que o meu gajo, o mesmo cabrão que me deixou o braço todo negro porque não lhe bastava tocar-me no ombro e apontar para a ambulância, não, tinha de deixar a sua ideia bem vincada ao agarrar-me no braço com aquela mãozorra-martelo pneumático, não fechou os cães.

vejo que o meu Zé me comeu o carregador do mac que estava na tomada enquanto este carregava.

momentaneamente deixo de ver o que quer que seja e começo a ver uma luz lá ao fundo.

afasto-me dela à medida que o meu gajo me diz que o computador está bem, não se passa nada com ele.

volto a mim.

tento mandar o cão contra o muro mas o meu gajo agarra-me pelo braço. No que não estava negro.

 

Dia 02/01/2016:

 

92 euros por um carregador.

Doeu-me tanto que o vendedor até pediu desculpa. Mais do que andar aqui com os dois braços negros.

 

este ano promete.

 

 

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