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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Dúvidas Cor de Rosa

27
Out16

42


Filipa

 

[Não me dêem os parabéns.

Digam-me antes que o tempo que me resta para cá andar vai ser do caraças, que vou ver os meus filhos crescerem, felizes e saudáveis, enquanto se riem de tudo inclusive deles próprios. Acho mesmo que este é um dos grandes ensinamentos que lhes deixo: a vida é para ser levada com uma gargalhada sempre à mão. Digam-me como fiz um bom trabalho com eles, tão pequeninos e tão unidos -daqui excluo as manhãs, em que a Luísa acorda o irmão espetando-lhe os deditos nos olhos-. Digam-me que vou envelhecer -ainda mais- com o meu gajo, esse companheirão que tudo me atura e ao mais pequeno suspiro meu, escangalha-se a rir como se eu fosse a mais engraçada das criaturas. Esse depósito sem fundo de paciência para os meus dramas e mau feitio. Acalmem-me e digam-me que hei-de sempre trabalhar naquilo que amo fazer, encará-lo como se fosse uma bênção e cada novo dia de trabalho ser um novo dia de prazer. Digam-me que não vou perder mais ninguém, não ia aguentar. Digam-me que a partir do primeiro ente querido que se perde, se pode trocar de lugar com quem parte e nos deixa morta-viva. Digam-me, que eu não tenho mais por onde morrer. Digam-me que nascemos com uma quantidade definida de lágrimas e de tristeza e que a partir do momento em que se esgotam, só existem sorrisos e saudades do que nos transformou nisto que diariamente oferecemos ao mundo. Digam-me que ainda vou a tempo de ter um terceiro filho e que tarda nada estou aqui barriguda e a queixar-me do tamanho das mamas: não quero os meus filhos na solidão, quero que tenham sempre a quem dar a mão, quem os segure e lhes digam que tudo vai correr bem. Digam-me que vão ser tão felizes como eu sou. Digam-me que as pessoas más merecem uma mão e que eu, mais ano menos ano, vou ser capaz de lhas dar. Que se me aparecem na vida é só porque alguém acha que consigo lidar com a maldade da mesma forma que consigo lidar com a alegria de quem aparece nela para me fazer sorrir.

Que quando todas as portas se fecham é porque lá fora a tempestade está feia, da mesma forma que quando se abrem, é porque devo sair sem medos. Digam-me que aos 42 ninguém pensa no tempo que ainda tem, mas sim no muito que ainda está por vir.

Não me dêem os parabéns, digam-me apenas que estou a exagerar.]

 

26
Out16

Está aí alguém?


Filipa

 

Olá meus amiguinhos. Pesso desculpa pela ausência mas estive doente e triste.

Tudo começou quando a minha vizinha foi á terra por motivos e calhou o vizinho vir à minha porta pedir uma mãozinha para qualquer coisa banheira. Mantenho uma relassão de pura amizade com este meu vizinho. Já sabem que frequentamos as banheiras um do outro, não podia deixá-lo dependurado, apesar de estar imenso de ocupada a criar páginas de facebook ao disparato. Como estava a dizer, fui ajudar o vizinho não sem antes agarrar nas ferramentas nesseçárias para o enfeite: um cinto de ligas [para vedar alguma fuga] meias até à cocha [para segurar os canos], vanselina [para ludibriar as juntas], velas [não foçe faltar a luz], e uns estores e uns cortinados ranhosos [foi só para a fotografia. Adoro tirar fotos a estores, cortinados e mamas].

Chiguei lá e meti mãos á obra. O meu vizinho dizia que sim, que eu tinha imenso de jeito com as mãos, que era muito habilitada, que apesar de ter 40 anos, ninguém me dava 41, é que estava mesmo impressionado com o meu jeito para este tipo de DIY cazeiro! Trabalhei no duro durante 5 minutos inteiros, estava exaustiva e entretanto a mulher dele voltou a casa porque se esqueceu do passe social e da sande de leitão que fez para a viagem. Tive de me esconder no caixote do lixo, ali apertadinha e embrulhadinha em merda doméstica e comida podre até pensei num poema que depois publico. Há locais que nos enspiram e os baldes têm esse enfeite em mim.

Adoessi. Apanhei uma malheita que ainda hoje estou cocha. Quando o meu marido [que só não foi limpar os canos ao vizinho porque ficou a escovar o gato e a areiar os ténis pás corridas] me viu deslavada no ól da entrada, ainda com uma meia enfiada pla perna e com o frasco da vanselina aberta, levou-me logo ao hospital e meteram-me em coma introduzido por causa que as dores eram muitas e eu queria era ir mandar árvores abaixo com o carro do meu pai. Durante 7 dias e três noites fiquei ali sem que ninguém conseguiçe perceber o que fazer para me salvar. Felizmente que o meu marido teve uma corrida até varsóvia, assim não precisei de me preocupar muito em mostrar ao mundo como nos amamos e somos prefeitos nem ele de afirmar que não se importava nada com este tratamento reaccionario uma vez que confia em mim. Cegamente [diz que dói menos] Um dia, o infermeiro que me ia dar o autobiótico lembrou-se que era mesmo boa ideia fazer sexo comigo. Afinal, ali estava eu, embrulhada nuns lenssóis, praticamente nua, praticamente irressistivel, só faltava mesmo uns estores, poçe perfeita para uma fotografia sexual.  Estava mesmo a pedi-las e o infermeiro deumas. Como ele já tinha ouvido falar desta terapia renovadora e decidiu pô-la em assão. Passei a tomar o antibionico de quatro em quatro horas e sexo de três em três. Como o enfermeiro estava a ficar escanzeado, chamou o colega do turno seguinte para que a corrente não se quedasse. Passado uma semana desta poçologia, já tinha praticamente a ordem dos infermeiros a tratarem-me da saúde e que bem tratada fui! Palavra empurra palavra e já tinha médicos, infermeiras e até os auxiliantes a cuidarem-me até que finalmente vim a mim própria e sai do estado comulativo. Sinseramente, este serviço nacional de saúde está cada vez pior. Devia ter vindo para casa com a indicação de não corromper o tratamento que eu sei muito bem que nestes casos mais graves uma pessoa tem de fazer o desmame, que tirar assim as terapias às pessoas até pode subir o coma à cabeça e ficar-mos malucos e eu não tive opurtunidade de desmamar nada, o meu marido tem pouco jeito para isto, coitadinho, o que vale é que nos amamos mesmo imenso e o amor, tal como o sexo em doses cavalonas e o antibiónico adecuado, cura tudo.

E vocês, como estão?

 

26
Out16

Eu QUERO MUITO ESCREVER NO TEU BLOG, FILIPA, DEIXAS? III


Filipa

 

"Ora bem, temos mesmo que falar de temas da atualidade, num é? Então cá vão dois temas e a minha opinião sobre eles, não que eu seja comentador de bancada, mas até acho piada a esta coisa de escrever noutros blogues. E reparem que para escrever no blog da Filipa não é para qualquer um, é preciso ter, no mínimo, 50 tons de rosa!

O primeiro tema que quero trazer à baila e que me tem permitido dar umas boas gargalhadas é o fenómeno Maria Leal e a sua dança das pernas arqueadas. Desta não te lembraste tu Filipa, han? Não quero fazer publicidade à senhora, isso já ela tem da pior forma, mas tem. Simplesmente gostaria de dizer que eu já ri tanto, mas tanto, que até já soltei umas pinguinhas de xixi! Que me aconselham? Usar pensos para a incontinência? Mas existe dessa merda para homens? É que se existir ficamos com os tintins todos amaçados.

Outro tema bastante importante que quero falar, é da notícia sobre a caça ao homem aqui para os meus lados, Arouca. A GNR alerta para que fechemos as portas e as janelas e que evitemos sair de casa, logo eu que adoro ir cagar ao mato, no meio da natureza e limpar o rabo às folhas do eucalipto. É que se o fizer ainda me arrisco a ouvir um tiro e depois não me seguro mais, mas também era da maneira que saía tudo de uma vez sem eu ter que puxar muito."

 

De sr. Solitário

 

 

Porque será que só pessoas que batem mal da boneca é que aderiram à rubrica?, fica a questão.

 

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