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Sou a pior

por Filipa, em 30.01.18

Há já uns tempos que me deixei de discussões no Facebook. Aquela gente esquisita com muito mais bagagem do que eu nisto da militância à estupidez, agarram em nós e arrastam-nos de volta ao paleolítico, onde as diferenças se resolviam com uma moca com um prego espetado, na mona uns dos outros. Às vezes, e na esperança que entretanto alguma coisa mude, dou por mim a navegar por entre aquele lamaçal mas, invariavelmente termino a ferver com aquilo que vou lendo apesar de, na maioria das vezes, conseguir sair sem dizer nada. O meu objectivo de vida passa muito por conseguir revirar os olhos, encolher os ombros e ir à minha vidinha, andava a praticar imenso e tudo e é quando se dá a coisa da Nanny, salvo seja.

Para começar, não sou a favor do programa. Sei que as pessoas que aqui costumam vir vão saber interpretar a minha explicação, as que me conhecem, idem, os que não conseguirem, pá, esse é um assunto que não me vai tirar o sono, efectivamente não é coisa que me mereça o treino, há muito que desisti.

Como estava a dizer, não sou a favor do programa, no sentido de existir exposição não só das crianças e do resto da família, mas como toda uma realidade familiar que ninguém gosta de ver exposta. E reparem que nem falo de birras, choros e afins. Falo de privacidade, falo de intimidade. Se apenas aparecessem crianças felizes e sorridentes, a minha opinião era a mesma.

E era isto. 

Só que entretanto começo-me a aperceber da quantidade de pessoas incomodada com o banho da miúda do primeiro episódio, e porque a obrigação dos pais é proteger os filhos e blá blá blá como se estivessem a contar o quarto segredo de Fátima, nunca ninguém tinha imaginado tal coisa até as super mummies chegarem e tau!, aguentem-se com esta nós, as shitty mummies, como assim, caralho?, então mas nós não mandamos nos putos?, eles não são só nossos até serem velhos??, não temos poderes sobre eles, tal como as nossas mães tinham sobre nós, e as mães delas sobre elas e etc etc até Eva ter lixado esta merda toda?, temos de os proteger porquê????

E estava eu a tentar perceber como lidar com estas duvidas excruciantes quando leio que a Polo Norte tinha sugerido uma petição para que fosse retirado o programa no ar, explicava como denunciar aquela mãe de merda à cpcj, que não podia ser, por mil euros tinha marcado para sempre a vida da filha, blá blá blá suicídio, blá blá blá bullying, e eu a pensar que talvez estivesse a baralhar casos, que isto tudo não podia ser sobre a Nanny.

Mas era.

E é a isto que eu chamo de luta taralhoca.

São lutas que nos trazem benefícios, são as lutas mediáticas que nos dão visualizações que invariavelmente acabam por se tornar dividendos, são lutas que por terem longo alcance, nos fazem parecer tão altruístas e preocupadas com os outros, mêmo boazinhas, caraças, quem é que não gosta de ouvir que somos mesmo boas pessoas? Lutas fáceis, ganhas por interposta pessoa, em que as entidades intervenientes foram obrigadas a agir, não é bem uma luta, é mais uma espécie de oportunismo.

Taralhouco.

Como disse no facebook da criatura, não preciso da internet para me dedicar a lutas. Às minhas lutas. Não preciso é delas para me promover, para me mostrar, para vincar o meu papel na sociedade.
Nada contra quem consubstancie lutas taralhocas, haverá sempre clientela para, e nesse contexto, fui perguntar à Polo Norte, autora do Quadripolaridades, para quando uma luta a sério para os casos mais graves, i.e, p.e, a actuação da cpcj -cuja representante num debate na sic se mostrava fervorosa defensora do final do programa- no caso da Vanessa que foi morta pela avó e pelo pai, três dias depois de ter sido entregue por esta instituição; no caso da Joana que foi morta pela mãe e pelo tio, depois de várias queixas na cpcj; no caso da Leonor, que aos quatro meses de vida foi enfiada numa banheira de água a ferver para depois ver o seu corpo coberto de sal, morta por uma família referenciada pela cpcj e era capaz de estar aqui o dia inteiro mas estas merdas metem-me um nojo tão profundo, um nojo que me vem tão do fundo da alma, que não consigo falar de muitos mais exemplos sem começar logo a ter ganas de começar a partir tudo -não se apoquentem, tranco sempre os meus filhos na cave quando me dão estes ataques, para os proteger, estão a ver?

Este tipo de luta é que não vale a pena; dá trabalho, aquilo é peixe graúdo e já se sabe que a gente importante, aos Drs de portugal, nunca acontece nada, lá tinha eu de deixar de ir aos brunchs mensais, que chatice, lá tinha eu de me abalar cá das minhas coisinhas de pessoa feliz e realizada e isso é que não. Assim deixo que o digital viralize, dou uma achega ou outra aos paspalhos que me seguem e a coisa dá-se. Ó se se dá.

Deu-se.

Restou-me o facto de a autora referida acima, afirmar às taralhoucas que a seguem, que eu mantenho um espaço em que e cito: "manifesta a sua repulsa por mim e por tudo o que escrevo, conto ou faço. Sou uma embirração de estimação" (...) "A Filipa quer continuar a arranjar a arranjar argumentos para revalidar a sua embirração comigo (...)"
A cara Polo Norte sabe bem quais são os meus motivos de embirração, ambas sabemos dos motivos que tenho para pensar o pior dela enquanto pessoa e se quiser tenho todo o gosto em enumerá-los. Felizmente para todos e sobretudo para a própria, não se passou comigo mas está longe de ser o motivo pelo qual estacionei na sua página. Ainda assim e sempre desconfiando da minha memória, fui até 2015 e não vi sequer um post onde a pessoa é visada. Nem sequer ao de leve.

Sorri, revirei os olhos e encolhi os ombros.

Estou quase lá.

 

 

 

ps: quanto ao facto de a autora ter várias amigas bloggers que expõem os filhos em troca de meia-dúzia de fraldas cagadas, não foi possível obter qualquer reacção da mesma. Parece que não conta, não sei.

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E se os vossos companheiros vos levantasse a mão e vos desse um toque, assim ao de leve como quem não quer a coisa?

 

Calhando é o que vos anda a fazer falta, digo eu.

 

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Da nanny e das ofendidas do costume.

por Filipa, em 22.01.18

Dois episódios vistos e continuo sem perceber qual é o big deal, onde é que o programa é diferente dos blogues cujas autoras não se inibem em mostrar-nos as fotos dos filhos, das novelas onde os putos trabalham, dos anúncios idem, porque é que o programa passou a ser o motivo das vossas lutas e qual o critério de o priorizarem em relação a tanta merda que se passa por este país afora, muito mais urgente e grave mas que toda a gente finge que não, o contentamento que sentem por uma marca sem tomates ter deixado de patrocinar o programa -não fossem as mãezinhas conas de unto deixar de comprar os seus produtos fantásticos- que bateu, mais uma vez recordes de audiência graças à vossa indignação, em que é que o episódio de ontem, por exemplo, vai afectar a vida da adolescente quando chegar à escola, ou eu ando a falhar muito enquanto mãe -sim, há muito que tenho o sofá para pensar- ou vocês só estão mesmo bem a foder a cabeça aos outros.

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E percebi que o que a perturbou mesmo, mesmo, foi a exposição a que a criança esteve sujeita durante as filmagens.

Ora, sucede que floresceram em mim duas questões e não vejo jeitos de estas morrerem à sede:

 

a) então mas a Pipoca não expõe o filho no seu blog?

b) ou apenas é considerado exposição se as emoções da criança, birras, choros e afins, estiverem em evidência, ou seja, penteadinhos, sorridentes e de roupa patrocinada, é considerado hora do recreio?

 

Se já andava baralhada com isto tudo, agora nem sei para que lado me hei-de virar.

 

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III

por Filipa, em 10.01.18

 

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Na Lapónia, com o pai Natal e os seus amiguinhos.

 

 

Acho que dá deu para perceber, né?

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