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cenas

por Filipa, em 12.07.17

Hoje, numa rua de dois sentidos mas cheia de carros estacionados em ambos os lados, tive um quid pro quo com um senhor. Sucede que hoje vinha cheia de paciência e até acabou por esta interacção ser profícua, conforme se aperceberão no decorrer desta ocorrência.

Portanto, eu ia a descer a rua e ele a subir, o carro imediatamente à frente dele parou num lugar de estacionamento livre para que eu (e o resto dos carros atrás de mim) pudesse passar e este senhor começou aos gritos (de vidro fechado, claro). Pedi que abrisse, uma vez que estava bastante curiosa com o monólogo e já agora também queria saber porque raio o senhor estava tão furioso consigo mesmo. Ele abriu e ´ssassim:

"- esta malta nova não percebe nada de código da estrada, ó caralho".

Devo dizer que logo aqui conquistou o meu carinho; não são todos os dias que me chamam de jovem. Depois, tremendamente chocada com a afirmação, indaguei logo:

"AH!!! Mas que disparate, onde é que já se viu?!!! Então e o que é que esta malta nova não sabe do código?" (ele, que já espumava):

"-Tão não sabes que quem desce tem de dar passagem a quem sobe? Vai mas é prá escola, caralho!"

Percebi que tinha enviado sinais inequívocos de que era uma pessoa de confiança, de que comigo estaria seguro e que a nossa relação tinha subido de nível optando, por isso, por uma forma de se dirigir a mim mais informal. Sorri de novo e com toda a calma que me caracteriza e dá a conhecer, disse qualquer coisa como:

"-O senhor tem de se acalmar, olhe essa sua veia aí quase, quase a rebentar. Vamos lá por partes, então o senhor não tem a sua faixa com obstáculo? Eu não tenho também? E que tal sermos calmos e bem-educados e, civilizadamente, irmos dando passagem uns aos outros? Assim chegamos todos a horas para o jantar. Bom, não é? Pronto, agora vá lá e acalme-se que assim não chega a velho." E arranquei. Chegada a casa e apesar de ter poucas dúvidas, a primeira coisa que fiz foi ir consultar o código da estrada e percebi que ele é que deveria ter cedido a passagem. Larguei logo um "eu sabia!!" e fiquei com o asneiredo todo, que devia ter saído por mor das maneiras daquela ameba, presas no gorgomilo.

Ser civilizada, calma e ponderada faz-me mal ao coração.

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14 comentários

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De Filipa a 12.07.2017 às 22:24

Olá, olá.


Pois que o artº 33 dita o seguinte:


Artº 33
A impossibilidade de cruzamento.


1) se não for possível o cruzamento entre dois veículos que transitem em sentidos opostos, deve observar-se o seguinte:


a) quando a faixa de rosagem se encontrar parcialmente obstruída, deve ceder a passagem o condutor que tiver de utilizar a parte esquerda da faixa de rodagem para contornar o obstáculo (tinhamos os dois)
b) quando a faixa de rodagem for demasiadamente estreita ou se encontrar obstruída de ambos os lados, deve ceder a passagem o condutor do veículo que chegar depois ao troço ou, se se tratar de via de forte inclinação, o condutor do veículo que desce (cheguei em primeiro lugar ao sítio do não cruzamento. Não sendo a inclinação demasiado acentuada, quer-me parecer que estes palhaços não entendem que é mais fácil um carro descer de marcha-atrás do que subir)
2 Se for necessário efectuar uma manobra de marcha atrás, deve recuar o condutor do veículo que estiver mais próximo do local em que o cruzamento seja possível ou, se as distâncias forem idênticas, os condutores:
a) de veículos ligeiros, perante os pesados;
b) de automóveis pesados de mercadorias, perante automóveis pesados de passageiros;
c) de qualquer veículo, perante um conjunto de veículos;
d) perante dois veículos da mesma categoria, aquele que for a subir, se for manifestamente mais fácil a manobra para o condutos do veículo que desce (cá está; além de palhaços, contradizem-se. Aqui já acham mais fácil descer de marcha-atrás do que subir. Cá perceber este putedo todo)


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