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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Coisas fofinhas que me lembro de escrever. Pode ser que seja das hormonas, não sei.

Junho 14, 2013

Filipa

Sou uma criatura dada a coisas a coisas do cacete. Já aqui disse que ter uma memória assim mais ou menos, não é para mim. Acho muito giro e não sei quê, mas pá, não vale a pena. Sou daquele género de pessoa que anda sempre de agenda atras, cujos melhores amigos são os post it e se querem saber, até no espelho da casa de banho eles estão colados. Se vou às compras sem lista, o mais certo é termos que ir comer fora porque me vou esquecer do ingrediente principal, se preparo a marmita para levar para o trabalho, deixo-a algures pela casa, se não ponho alarme não tomo os medicamentos, se não informo o gajo esqueço-me das consultas, ando sempre com as mãos cheias de cruzes que desenho com caneta mas que depois não sei a que se referem, deixo as chaves na porta do carro e vou-me embora, sou das que fecha a porta e só depois se lembra que as chaves se calhar ficaram em casa, nunca sei os códigos dos cartões e sei lá eu o número do meu bilhete de identidade, nunca sei o nome de ninguém e datas então nem se fala. Quero acreditar que isto acontece porque o meu pequeno cérebro está no limite e então apaga merdas pouco importantes para dar lugar a informação realmente útil. Sempre fui assim e se fosse na conversa da minha mãe, desde os oito anos que tomava "comprimidos para a cabeça, porque tu, Filipa Maria, tens a cabeça pior que a minha" e nem as solhas que levei me fizeram ter melhor memória, nem sei como ela contava que isso acontecesse.
Mas de vez em quando o milagre dá-se e verifico que afinal posso respirar, sou uma pessoa normal, pelo menos nessas alturas. Basta-me sentir um cheiro para de repente, viver o que vivi na altura em que esse mesmo cheiro aconteceu, basta-me sentir o perfume que usei quando me casei com o pai do meu filho para sentir de novo borboletas na barriga, basta-me sentir o cheiro dele para sorrir, cheiro o quarto do meu puto e lembro-me do pânico que senti quando vi o resultado do teste. Também penso como vai ser bonito para este já pequeno leitão sair, mas ainda falta bué, se não me falta a memória. Vou na marginal e quando sinto o cheiro do mar, lembro-me que quando por ali parava mais, era feliz, mas de uma maneira que não queria voltar a ser, porque ninguém pode ser verdadeiramente feliz quando opta por se partilhar com quem não está para partilhas. Cheiro a comida da minha mãe e sinto-me protegida, sinto-me lá atras, quando um prato de batatas fritas me fazia a gaja mais feliz do mundo. Entro no carro e o cheiro lembra-me as muitas viagens que faço nele, a sensação de liberdade que sinto quando conduzo e como isso me relaxa. O meu gel de banho que cheira a noitadas solteiras, o meu shampoo que cheira a água do mar, o hidratante que cheira a amor.
Como o meu nariz é fantástico com toda esta sua memória fantástica que me faz reviver coisas fantásticas e não sei se repararam ou se estavam diatraidos, mas lá mais em cima disse : "(...) quando me casei com o pai do meu filho (...)". Lamento não vos ter informado mas esqueci-me...

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