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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

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Filipa rende-se finalmente à publicidade

Junho 23, 2015

Filipa

Acho que a Clinique é uma marca que não mora no sítio certo. Em vez de coabitar com marcas muito melhores, em qualquer perfumaria, quanto a mim devia estar a embelezar as prateleiras de uma Wells ou assim. É uma marca com um conceito muito próprio em que é tudo muito testado, muito sem cheiros, texturas desenxabidas, produtos muito inócuos, faz lembrar a canja de galinha com um raminho de hortelã; não faz bem nem faz mal, mas reconforta as carteiras mais adoentadas.

Posto isto, passei uma vida a ignorá-la. Cheguei a desprezá-la quando saiu um sérum que a marca jurava que era coisa para chegar à célula, identificar o problema mais flagrante e só depois passaria ao próximo. Yeah, right, que peta descomunal, odeio que me prometam cenas que à partida se mostram banha da cobra. Prefiro que me enganem com classe, com inteligência e por isso não entendo a posição desta marca no mercado. Acho que o pessoal se deixa ir pelo engodo do dermatologicamente testado e do oftalmologicamente seguro, aliado aos valores mais compativeís com a maioria das finanças.

 

Isto na parte do tratamento, porque na de maquilhagem, a coisa vem por aí abaixo, até se esborralhar toda aos nossos pés. No outro dia ofereceram-me uma máscara de pestanas miniatura. Decidi dar o benefício da dúvida e coloquei duas camadas, como faço sempre. A menos que exista uma forma diferente de trabalhar a máscara de pestanas da Clinique, o que eu sei é que os meus desmaquilhantes não foram suficientes para tirar aquele encosto dos olhos. No dia seguinte, quando saí do duche, ainda tinha olheiras de tinta e bocadinhos de máscara dentro dos olhos. Estão a imaginar a felicidade que é espetar com umas lentes de contacto nuns olhos neste estado? Não estão, acreditem.

Mantínhamos, por isso, a nossa relação numa base de absoluto e unilateral desprezo, feliz e sem sobressaltos. Até que numa visita a uma perfumaria, dou com estes meninos e não lhes resisti.

clinique.jpg

Ignorei os meus motivos, as promessas e as minhas convicções, o que uns batons não fazem a uma pessoa. Diz que eram novos, que eram muito hidratantes, com uma pigmentação de engasgar o consumidor mais atento e uma pessoa até pensa: porque não? Afinal estes gajos estão há tanto tempo no mercado, alguma coisa terão aprendido. Trouxe dois mais para o encarnado e dois mais para o rosinha.

Duas semanas de utilização frenética depois, estou pronta para vos dizer que sim, têm toda a minha aprovação, se quiserem investir em batons para deixar recados amorosos nos espelhos das casas-de-banho, para riscar os pára-brisas do carro de alguém de quem não gostam, para dar aos putos para gatafunharem as paredes das casas das vossas sogras, até para oferecerem às vossa chefes, vale muito a pena, nenhum vai cumprir tão bem os vossos propósitos.

Lábios hidratados, elásticos, sem peles, cores vibrantes, brilhantes e duradouras? Isso é para um outro campeonato e a Clinique não passa das distritais.

 

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