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Entro nas finanças para tratar de uns assuntos chatos e vejo que está a abarrotar, gente por todo o lado  que gosta de cagar nas grávidas, não imagino porquê. Aliás, as pessoas no geral, curtem um molho cagar nas grávidas, alguém devia fazer um estudo acerca disto mesmo, tem que existir um motivo forte que nos escapa, para as pessoas virarem a cara quando vêem que uma gaja de esperanças se aproxima e gostávamos de saber qual, só para não ficarmos a pensar que o povo português é solidário é mas é o caralho. Mas não é disto que aqui se vai tratar. Como tenho tempo para dar e vender, decido esperar pela minha vez, deixando aquelas pessoas todas entregues à sua própria consciência, se é que ainda não a gastaram noutra coisa qualquer. Tinha cerca de trinta pessoas à minha frente e um funcionário a aviar aquilo tudo. Começo a ler uma revista e vez em quando olhava para o quadro da vez. Olho para o relógio e são 11h e pouco. Ao meio dia, olho para o pobre funcionário, que entretanto arregaçou mangas, que suava, coitado, e que de vez em quando, sem motivo aparente, desaparecia. Decerto ia tomar um red bull ou assim. Pobre criatura.
De repente, vejo cinco colegas seus, vindos sabe deus de onde, das trevas por certo e, Ossana nas alturas!!, começam a aviar a freguesia com um furor que jamais tinha visto numa repartição de finanças. Dava gosto, acreditem. Num ápice, a clientela começou a desaparecer e num tête-à-tête unilateral com o meu João, sugeri-lhe a função pública como uma boa perspectiva profissional e pedi-lhe que pensasse nisso com carinho que as coisas felizmente já não eram como já foram e estes senhores tão solícitos eram um exemplo disso mesmo. Estava nesta conversa quando fui chamada, em dois minutos resolveram-me o problema e saio das finanças, pela primeira vez, com um sorriso nos lábios.
Vi as horas e reparei que estávamos a entrar na hora de almoço destes senhores. Suspirei, abanei a cabeça e fiz uma festa na barriga.

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7 comentários

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De Anónimo a 19.06.2013 às 22:48

Porra...
A ultima linha partiu-me todo em especial a "festa na barriga"....tás a ficar filosofica... :)
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De onónimo a 24.06.2013 às 02:17

eheheheheh
(nada mais se oferece dizer sobre este pequeno país, excepto coisas que envolvam pirotecnia e comédia trágica)

mas enfim, lá por fora não está muito melhor com excepção de alguns enclaves humanos que ainda resistem a este epidemia de senilidade.

quanto ao incómodo com a proximidade de grávidas lucubro:
. povo meio estúpido pensa que se propaga pelo ar
. se não olharem não sentem o suspiro da consciência para ceder o lugar na bicha (vulgo fila de espera),não vá aparecer uma segunda e terceira gaja com a mesma maleita.
. contrição por obscuras fantasias com mulheres grandes como autocarros.
. pavor extremo talvez apenas parcialmente consciente da responsabilidade da paternidade.
. "e se a gaja dá aqui à luz o que é que vou fazer? como é que vou ajudar se nem sequer posso olhar? pode ser que desapareça se eu fizer de conta que aqui não está!" ou "foda-se, ali o funcionário público que ajude! deve ter treino nestas merdas".
. outra qualquer estupidez imune à Lógica.

Beijo Gordinha!

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De Anónimo a 26.06.2013 às 17:04

Essa das grávidas é um bocado:
Pois, mas se fosse para ir para outro sítio giro já não se importava de esperar.
Ou então: Há quem não esteja grávida e esteja em condições muito piores para estar em pé, cada um sabe de si.
Ou ainda: Gravidez não é doença. Claro que existem incómodos, mas já sabia disso antes de engravidar, ainda se estivesse no fim de tempo...
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De Filipa a 26.06.2013 às 22:22

Anónimo, antes de te mandar pró caralho, ficam aqui algumas considerações: Eu esperei e não me queixei. Mas podia que estou no meu direito. Quem está em condições piores que eu, que se queixe. Se não se queixam, aguenta e não chora. Sabe lá vossa excelência se não estou doente. Sétimo mês, pode, a qualquer momento, significar estar no fim do tempo.

Agora sim, vai mazé pró caralho que se faz tarde.
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De Filipa a 26.06.2013 às 22:25

*estava no meu direito.

Só porque gosto que não restem dúvidas.
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De onónimo a 27.06.2013 às 00:02

oops, cá está novamente, por todo o lado. já começa a parecer tarefa para equipamento profissional.
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De Giuseppe Pietrini a 03.07.2013 às 20:37

Mas vocemecês ainda vão todos às finanças?... Eu farto-me de receber aquelas cartinhas de amor que me recordam que devo o IUC do ano etc e tal e defeco naquilo.

Uma vez perdi uma manhã do meu emprego de então, que me custou uma humilhação do carago por ter de pedir esse período de dispensa ao burgesso do meu patrão, e isto para quê??? Para mostrar um papelucho com um linguajar ininteligível, que me chegou pelo correio, a um funcionário velhote e meio marreco, que se entreteve a passear com este por uma série de secretárias cheias de papelada e gabinetes de divisórias falsas... para ao fim de uma hora e meia me resumir as suas peripécias assim:

"Olhe, nós enviámos esta convocatória ao sr. mas já não nos lembramos do que se trata. Maneiras que vamos enterrar o assunto, se também estiver de acordo com isso.".

Isto sem se rir! E eu sem me passar da marmita com a seca que levei! Bom, do mal o menos, não havia lugar a dar qualquer guito áqueles chulos...

Abreijos! ;-)
Giuseppe (http://giuseppepietriniapresidente.blogspot.com)

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