Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

43

Outubro 27, 2017

Filipa

Foi um bom ano, este.

Consegui passar por ele sem chorar grande coisa. Foi muito meu amigo, este ano que se adivinhava de alguma reviravolta. Passaram por mim dias tão felizes que quase me fizeram esquecer a nuvem negra que trago sempre pendurada ao peito e hei-de trazer até ao fim. Quase. Foi um ano onde imperou, sobretudo, a paz. Relativizei sobras e priorizei o que me é caro. Tive saudades de ter tempo para tudo e vontade de desacelerar. Desacelerei e apreciei o caos. Vi os meus filhos a crescerem a uma velocidade estonteante. O meu João no outro dia deu um pontapé numa mesa e magoou-se na canela, porque uma menina na sua escolinha o estava a chatear "tanto, tanto" e ele "xei bem que ox meninox não podem bater nax meninax". Vai daí, anda-me com meia perna toda negra porque naquela cabeça de 4 anos fez mais sentido libertar a fúria numa mesa do que algures na miúda. A minha Luísa que só vai dormir depois de se despedir de toda a gente e de todos os animais cá de casa. Todos. E dos brinquedos. E dos tapetes. E do penico. E da papa. O pai é sempre o último. E quando acorda, a primeira coisa que faz é dizer olá a todos, inclusive aos carros estacionados. Às nuvens, ao sol, à chuva, às pedras. O pai continua a ser o último. Percebo-a, o melhor fica sempre para o fim. O meu gajo foi o melhor todos os dias. Todos os anos, desde o primeiro, o é e não vejo jeitos de ele conseguir ser de outra forma. Mudei de funções, no emprego. Se antes servia bicas e pastéis de nata, agora já faço sandes e tostas mistas. Está a ser um desafio tão giro quanto cansativo, o que se traduz em várias coisas como por exemplo menos tempo para blogues e afins. Não me estou a queixar, o meu sistema nervoso tem-me agradecido imenso. Gosto de fazer anos, mas não gosto de envelhecer. Gosto da experiência que o tempo me traz, mas não gosto do peso que o passar dos anos me deixa na alma. Cada vez faço anos mais rápido, tudo à minha volta se passa mais rápido e eu já não vou tendo idade para acompanhar esta velocidade louca, nem a minha cabeça capacidade para memorizar o que é de eternizar.

Preciso de tempo, onde e a quem é que eu peço o meu presente?

 

42

Outubro 27, 2016

Filipa

 

[Não me dêem os parabéns.

Digam-me antes que o tempo que me resta para cá andar vai ser do caraças, que vou ver os meus filhos crescerem, felizes e saudáveis, enquanto se riem de tudo inclusive deles próprios. Acho mesmo que este é um dos grandes ensinamentos que lhes deixo: a vida é para ser levada com uma gargalhada sempre à mão. Digam-me como fiz um bom trabalho com eles, tão pequeninos e tão unidos -daqui excluo as manhãs, em que a Luísa acorda o irmão espetando-lhe os deditos nos olhos-. Digam-me que vou envelhecer -ainda mais- com o meu gajo, esse companheirão que tudo me atura e ao mais pequeno suspiro meu, escangalha-se a rir como se eu fosse a mais engraçada das criaturas. Esse depósito sem fundo de paciência para os meus dramas e mau feitio. Acalmem-me e digam-me que hei-de sempre trabalhar naquilo que amo fazer, encará-lo como se fosse uma bênção e cada novo dia de trabalho ser um novo dia de prazer. Digam-me que não vou perder mais ninguém, não ia aguentar. Digam-me que a partir do primeiro ente querido que se perde, se pode trocar de lugar com quem parte e nos deixa morta-viva. Digam-me, que eu não tenho mais por onde morrer. Digam-me que nascemos com uma quantidade definida de lágrimas e de tristeza e que a partir do momento em que se esgotam, só existem sorrisos e saudades do que nos transformou nisto que diariamente oferecemos ao mundo. Digam-me que ainda vou a tempo de ter um terceiro filho e que tarda nada estou aqui barriguda e a queixar-me do tamanho das mamas: não quero os meus filhos na solidão, quero que tenham sempre a quem dar a mão, quem os segure e lhes digam que tudo vai correr bem. Digam-me que vão ser tão felizes como eu sou. Digam-me que as pessoas más merecem uma mão e que eu, mais ano menos ano, vou ser capaz de lhas dar. Que se me aparecem na vida é só porque alguém acha que consigo lidar com a maldade da mesma forma que consigo lidar com a alegria de quem aparece nela para me fazer sorrir.

Que quando todas as portas se fecham é porque lá fora a tempestade está feia, da mesma forma que quando se abrem, é porque devo sair sem medos. Digam-me que aos 42 ninguém pensa no tempo que ainda tem, mas sim no muito que ainda está por vir.

Não me dêem os parabéns, digam-me apenas que estou a exagerar.]

 

40

Outubro 27, 2014

Filipa

Mais do que as mazelas do tempo no corpo, a falta de paciência, a mania que sei mais, porque vivi mais, do que os mais novos, esta merda de fazer quarenta anos aborrece-me na medida em que tenho menos tempo para cá andar, menos tempo para ser mãe, menos tempo para ser filha. Isto é coisa para ir dando cabo da cabeça a uma pessoa, sobretudo a de uma com 40 anos, cheia de dores nas cruzes e de bicos de papagaio. 


Foi um ano um bocado enconado, mas no final de todas as somas, não me posso queixar. Tenho um filho lindo-ainda hoje não sei como o fiz, escusam de perguntar- e saudável, um marido à medida-também não sei o que fiz para o merecer- e um trabalho que é uma merda, devido a you know who. Também não sei que raio fiz eu para merecer tal peçonha, mas quero muito acreditar que é Deus, esse tipo com um sentido de humor que, enfim, a equilibrar isto tudo, porque pessoas totalmente felizes e realizadas sucumbem a maus olhados, invejas e afins. O que eu sei é que este ano não foi nada mau e se a minha mãe não tivesse dado entrada hoje (lá está; Deus, no seu melhor) no hospital para uma cirurgia, teria acabado muito melhor.

O próximo vai ser fantástico.

39

Outubro 27, 2013

Filipa

Hoje é dia 27 de outubro e tal como acontece de há 39 anos para cá, é dia do meu aniversário que é como quem diz opá, estou tão fodida e para o ano ainda vou estar mais.

Gosto de fazer balanços não nos réveillons que estou bêbeda demais para isso, mas quando faço anos. Acho mesmo que um ano novo acontece e passo este dia cheia de esperanças em cenas melhores.
Este ano passou a correr. Engravidei e dei à luz um leitãozinho fofinho, fofinho que é a minha cara chapada. Casei aqui e como se não fosse pouco, casei ali que é como quem diz, fui casar num instantinho ali a Las Vegas. Com o mesmo homem, é obra. Mudei de casa, recebi um novo companheiro no nosso lar, o Guedes, o gato pára-quedista, desvinculei-me de uma empresa filha da puta, que me enchia a cabeça de brancas e não trabalhei um único dia desde então. Fui antes paga para fazer o que amo. Fui a mais concertos do que me orgulho (estava barriguda e talvez não tenha medido bem as consequências. Talvez). Engordei. Emagreci. Engordei e fiquei neste lastimoso estado e este gajo não me ajuda em nada e diz que estou bem boa. Chorei. Meu deus, como chorei, como chorei, não, como choro. Olho para o miúdo, emociono-me, olho para as fotos que me mostram como ele está texugo e emociono-me, cheiro-o, emociono-me, olho para a roupa que nunca mais me há-de servir e emociono-me, olho para a minha gaveta das cuecas e emociono-me. Uma choradeira. Se estiver por aí alguém que tenha passado pelo mesmo e que já se tenha recuperado, dê sinal que eu preciso mesmo de saber que isto é reversível. 
Acho (não nos vamos agarrar a esa hipótese como se estivéssemos a cair, ok?) que estou uma gaja muito mais dócil e menos raivosa. Acho. Já não mordo e já vou tolerando os velhinhos e crianças barulhentas, gajas parvas e pitas rebarbadas, vizinhas cuscas e condutores que nem uma simples rotunda sabem fazer, polícias sem o mínimo de instrução que nem eles próprios sabem como chegaram ali. Continuo a achar, contudo, que deus é um brincalhão do cacete e no último dia deste meu ano tão jeitoso vem-me com a conversa de que Lou Reed tinha partido. E eu, que me iniciei nesta cena da música à séria, de música de gente adulta e com gosto, com as músicas de Lou Reed, emociono-me.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D