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Dúvidas Cor de Rosa

Sintam-se à vontade para criticarem também o cabeçalho deste blog. E fazerem todas as exigências que acharem convenientes para vosso proveito, claro. Não voltei para outra coisa.

24
Mai16

Que eu sou uma diva

Filipa

já toda a gente sabe.

O que talvez ainda não saibam é que odeio o facto dos shoppings não terem sido construídos única e exclusivamente para mim.

Acho indecente a forma como deixam entrar qualquer parvo sem o mínimo de respeito pelos outros, no mesmo espaço que eu.
Eu explico melhor, que eu quando estou com a nervura, a clarividência foge-me pelo ralo junto com a tinta do cabelo.

Então não é que os outros clientes do shopping, numa clara e total falta de respeito e de empatia para comigo, ficam que tempos, que tempos, han?, não são apenas uns minutos, aqueles que eu defini como os socialmente aceitáveis para se ser considerado pessoa que respeita o próximo, são que tempos, a ver as coisas, a mexer, a experimentar e mesmo depois de pagar não se vão logo embora a correr, só para que eu possa aspergir, como quem salpica a plebe com orvalhadas da minha perfeição, toda a minha superioridade nas lojas que eu quero, pelo tempo que eu quero porque se há coisa que diva nenhuma devia ter de fazer é esperar. 

Eu quero poder entrar numa sapataria, por exemplo, e ficar à conversa com a minha amiga o tempo que me apetecer, sentadinha claro, sem correr o risco de lá chegar e ver as banquetas giríssimas de experimentar sapatos que há por lá, ocupadas por umas pindéricas quaisquer sem correr o risco de ter de estar ali em pé, a cansar o meu sistema vascular todo com a pobreza daquelas criaturas, só porque estas decidiram fingir que iam comprar uns sapatos que estão, claramente, acima das suas possibilidades sociais, e decidiram fazê-lo por muito mais tempo do que o estritamente necessário, não é? Acho que qualquer quarto de hora é  mais do que suficiente, quer dizer, fazer a Diva esperar mais do que isto é simplesmente inconcebível e motivo mais do que plausível para serem expulsas de qualquer shopping decente! É que nem faz sentido, acho uma tremenda falta de respeito coisas destas acontecerem em pleno século, em que século é que estamos?, olhem não interessa, é um absoluto desrespeito desde o séculos dos dinossauros, sobretudo daqueles engraçadíssimos com aquelas patitas dianteiras defeituosas.

Não é que não me importe com os outros, em alguns dias chego a respeitá-los e a achar que têm alguns direitos e tudo, não me interpretem mal, estou é a passar uma fase em que estou bastante centrada em mim própria e acho estas coisas de uma falta de civismo atroz. 

A partir de hoje antes de sair de casa para ir ao shopping, ligo para a recepção a marcar hora que é para terem tempo de expulsar toda a gente e de me estenderem a passadeira vermelha.

De outra forma, desculpem lá mas não contem comigo para coisas destas.

 

16
Mai16

(talvez seja uma)Trilogia (ou talvez seja só um conto) das pilas (logo vejo o desenvolvimento dela. Da pila, claro)

Filipa

Hoje vou dar início a uma série de episódios engraçados que envolvem nada mais, nada mais, pilas. Pois é, um órgão tão simples e que tantos problemas origina.

Há uns tempos, ainda havia sol e calor e verão na terra, apeteceu-me apanhar uns bons banhos de pila e nada melhor que ir buscar a espreguiçadeira. Só tinha um problema: precisava de a abrir porque fechada não ficávamos suficientemente confortáveis, eu e a pila. Sempre tive um medo horroroso que a pila se levantasse enquanto eu estivesse lá deitada, mas não estava mesmo nada preparada para o que se seguiu.

Próximo passo, abrir a cadeira, vamos lá: ponho as minhas mãos nos braços da cadeira e puxo a pila. Conforme puxo, os pés da cadeira abrem, eu desequilibro-me, e pimba, uma chapada de pila em cada bochecha, tau, tau! Esta estratégia não estava a funcionar, pois eu precisava de abrir as pernas para ela entrar, foi o que li nos livros, foi o que aprendi na escola, foi o que vi no Era uma vez a vida. Ora, como sou pequena, não estava a resultar.

Tenho então a fantástica ideia de me curvar e prender a parte central da pila nos joelhos. Não podia ter tido pior ideia: a cadeira fechou-se sobre a minha cabeça de tal forma, que fiquei entalada, e a pila que já estava entalada nos joelhos, não me deixava libertar dela. Estávamos todas presas umas nas outras, a pila em mim, eu na cadeira, a cadeira na pila, a pila na cadeira, enfim, quase morri, que assassinas.

Estão a ver o filme? Olhem que não. Olhem que não.

Restou-me recorrer ao meu próprio cérebro para me ver livre de toda aquela situação embaraçosa.
Consegui. Larguei a pila da mão e fui à minha vida.

 

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Para consulta em caso de necessidade

Cenas da Carla