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Dúvidas Cor de Rosa

Um blog extremamente fofinho e quase sempre zen.

Dúvidas Cor de Rosa

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Tomem lá letra com fartura.

Junho 12, 2013

Filipa

Tenho 27 semanas de João e de toda uma curiosidade que uma gravidez provoca na espécie em geral mas sobretudo nas mulheres, e eis o que se me oferece dizer acerca da minha condição, cada vez mais na recta final:

É uma merda estar grávida.

A sério, acreditem em mim. Mulher nenhuma pode amar estar grávida e com tudo o que isso comporta. Quanto muito tolera-se, aguenta-se, suporta-se. Os sacrifícios pelos filhos começam logo na gravidez, e alguém devia avisar-nos disto, antes mesmo de termos idade para saber como se fazem filhos.
Faço-vos um resumé da minha e vejam lá se não tenho razão.

Desde o inicio da gravidez que o nervo ciático acordou em mim. Não me posso deitar, levantar, abaixar, virar nem sentar sozinha. Piora com o pequeno aumento de peso a que fiquei sujeita praticamente a partir do primeiro dia de gravidez. Não me lixem com a historia de que não se come por dois. Come-se até por mais, se querem saber. A culpa não foi totalmente minha, atenção! Nos primeiros quinze dias tentei e com algum sucesso, fazer uma alimentação saudável baseada em saladas, grelhados e fruta da época. Mas depois vieram as consultas e com elas bué de análises e fiquei a saber que saladas só em casa. Ora, como raramente como em casa, está bom de ver que não como saladas desde o ano passado. Travo guerras com a médica que a gaja não me larga o juízo com esta merda desta história e se fosse outra, há muito que já tinha perdido o apetite. Que culpa tenho eu se o miúdo não me pede comida saudável, porra??  Depois temos a questão feitio. Não sou boa de assoar, já se sabe, agora multipliquem por dois que tenho cá para mim que este fulaninho vai sair melhor que a encomenda. Não falem comigo, por favor! Esqueçam-me! Façam de conta que não existo e estareis a salvo. Não me digam bom dia, não me perguntem o sexo da cria, não me perguntem dos apetites, pá, deixem-me, a sério, deixem de tentar fazer de mim uma criatura sociável, não vale a pena. Nunca fui e a maternidade não faz milagres.
O meu gajo acha uma graça tremenda a isto tudo e ri-se um molho. Um dia destes ainda lhe avento um soco na boca, mas quando estou prestes lembro-me que as minhas unhas dos pés têm que ser cortadas e os meus pés massajados e deixo-o rir. Depois de parir, falamos.
Não me posso enervar porque tenho a tensão um bocadinho assim para o alta e isso às vezes é uma merda apesar de às vezes até dar jeito. Como na semana passada, por exemplo. Fui fazer uma ecografia (tooooodas as mulheres deviam estar a par dos preços das ecografias e das vezes que as têm que fazer, valha-me deus!! A par do valor das consultas mensais, considero um tremendo método de controlo de natalidade e, na loucura, método contraceptivo) e o médico descansou-me da seguinte maneira:
"O João está óptimo, mãe" (esqueci-me de vos dizer: não me tratem por Filipa que o mais certo é eu não vos atender. Chamem-me de mãe que parece que até o puto ir para a tropa, será o meu nome).
Continuando:
"Só não consigo ver todos os dedos da mão direita mas não deve ser nada"
Pronto, e uma gaja além de não se enervar, vai para casa muito mais descansada e muito contente com o médico que escolheu porque cinco dedos são só cinco dedos, há que dizê-lo com frontalidade, não é nada de mais, é muito dedo para cortar unhas e lavar e manter fora da boca, maneiras que o entendo perfeitamente; há que ser prático e as coisas são como são.
Não estou mais bonita, a pele não está sã e escorreita, o cabelo não está sedoso e brilhante. Não apresento um aspecto luminoso nem irradio felicidade. Todos os dias sinto vários ataques de ansiedade se estou muito tempo sem sentir o puto. Fico de tal maneira alterada que se me varre da memória a última vez que o senti. Para não parecer tão histérica, adoptei o sistema de andar com um caderninho atrás e vou apontando as horas e assim pareço só patética. Com este stress todo, lá se vai a pele luminosa e viçosa. Depois não durmo há mais de cinco meses. Desde que deixei de conseguir estar de barriga para baixo que nunca mais tive uma noite de sono descansado. Agora que o fulano gosta de se enfiar nas minhas costelas, pontapés na bexiga e golpes estranhos no estômago, a coisa só melhorou, claro: não há série nos 312 canais que tenho, que não veja. Incluindo todos os episódios da novela Páginas da Vida, do Splash e do Não há bela sem João. Resultado: olheiras até ao pescoço, desalento e borbulhas na fronha.




Continuamos depois, tá bem?


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