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Voltei de lá (report)

por Filipa, em 28.07.13
Com a indicação de me portar bem senão sou pessoa para me ver a braços com um prematuro e isso é que não. Lá no hospital ranhoso não estava a correr bem. Não sou gajo para rotinas e aquela merda das limpezas às sete da manhã, banho às oito, comer às nove e por aí vai, estava a dar-me conta dos nervos e eu agora não me posso enervar. Nem comer muito. Nem correr. Nem andar muito. Nem deitar-me de barriga para cima. Nem ir a concertos. Nem ter emoções fortes-não sei como tal será possível, uma vez que hoje começa o novo programa da Cristina Ferreira. E ter cuidado com o sal. E com as saladas. E com o cocó da gata. Nem conduzir. Nem viajar. A bem dizer, a única coisa que posso fazer à vontade, mas assim à grande, é respirar, mas o meu João às vezes não deixa e dá-me com cada cacetada na caixa que até me cago toda.
Ainda bem que voltei. Tenho a roupa do puto para lavar, passar e arrumar. E tenho outra consulta no médico de família, que é coisa que cada vez aprecio mais, na Terça-feira, que preciso de mais baixa, pobre estado, o que lhe havia de calhar, outra chula. Ainda vamos ser capazes de passarmos o tempo de uma consulta a sorrir, eu sem o insultar e ele sem me revirar os olhos, vão ver.
Fui para o hospital com a ideia que ia sair de lá com o puto nos braços. Não saí. Ainda cá canta, mas voltei com um medo horroroso do parto, coisa que ainda não me tinha atravessado os sonhos. Medo dele nascer cedo demais para a maturidade dos seus órgãos, medo de ter de o deixar lá, medo de não ser capaz de o manter cá dentro, onde está tão seguro, mesmo sem saber o que de mal faço para estarmos sempre na corda bamba e isso é uma merda. Não sei o que é uma gravidez sossegada, a apreciar os mimos e atenções, a saborear desejos e férias e isto não estava nos meus planos que sempre fui criatura a quem as coisas corriam bem. Estou para aqui deitada a visitar blogues e a blogoesfera está uma merda, desculpem a franqueza, e a pensar que isto de ser mãe é um desassossego do caralho e ainda o puto não está encaixado.

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8 comentários

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De onónimo a 29.07.2013 às 23:23

é sempre uma fase delicada. mas prematuro? não estás já tão perto dos 9 meses?
Beijo, e coragem! Os minorquinhas valem todos os sacrifícios (sim, bem sei que é fácil falar quando se é gajo).
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De Filipa a 30.07.2013 às 01:17

Foda-se, pá, não fosses tu o único a tecer um comentário acerca do meu delicado estado e mandava-te para o caralhinho!
Acabei de sair da 33ª semana, carai, já viste quantas faltam para as 40, ou melhor, para as 38 que é a meta que o médico definiu??
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De onónimo a 30.07.2013 às 01:29

36, 38, 40, que grande confusão. então o médico quer a média entre 4x9 e 52-4x3?!
parece aquela anedota, "quantos dedos tens nas mãos?" e o gajo olha para a mão esquerda e conta 1 2 3 4 5 e depois para a direita e conta 10 9 8 7 6, ora 5+6=11 dedos!
é por isso q não uso a mão direita, tão esquisita, para assuntos delicados...
caraças, é tudo complicado...
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De Filipa a 30.07.2013 às 01:36

Não, o medico diz que se o fulaninho continuar a crescer e continuar tudo calmo, não passa das 38 semanas. Antes das 37 é um prematuro e uma gravidez pode chegar às 42.

Esta gente estraga esta merda toda com a paneleirice das semanas.
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De onónimo a 30.07.2013 às 02:12

então ainda necessitas de mais um mês em modo zen. cuidado com os concertos estivais!
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De Ana Magalhaes a 30.07.2013 às 11:38

Olá,
Comecei a ler te há pouco tempo, mas nunca mais te largo (perseguidora...). Estamos as duas prenhas.
Eu com as minhas modestas 22 semanas e tu... pelos visto um pouco mais adiantada.
As duas vamos ter catraios do sexo masculino. Coleguinhas de carteira do príncipe herdeiro, Jorge de seu nome.
Ora, a minha gravidez está a ser mais calma com a Graça de Deus, que também tudo me acontece. Fui criada na aldeia, caia um bocado do pão ao chão, sopra que já está bom, e não é que não estou imune a merda da toxaplasmose ou lá como se chama. Tenho dois gatos, acabou se o luxo de lhe limpar a caquinha e essas merdas todas. Fazer festas aos gatinhos e toca de lavar as mãos como se fosse demente ou psicopata.
Depois saladas, só em casa, presunto e outras cenas que tais, nada, e a coisa continua com uma lista infidável de cenas que nem vale a pena aprofundar. Por último todos os mesinhos toca de tirar sangue e ver se a coisa está calma ou se já aconteceu o pior. Nunca fui tão picada em toda a minha vida e nunca fui tantas mas tantas vezes à médica que até já me conhecem no centro de saúde!!!!
Na segunda ecografia, ai está tudo bem, é um rapaz e coiso e tal, não se preocupe que o miúdo só tem aqui um valor um pouco acima mas é normal, na terceira ecografia já se vai ver se está mesmo normal e quando ele nascer também logo fica normal. A merda do valor insignificante não me sai da mioleira e estou a dar em doida. A minha maravilhosa médica de família, está de férias, só para a semana é que sei se afinal choro, ou afinal não é nada. Vai daí nessa mesma ecografia 'ai que tem a placenta baixa, mas não se preocupe' e coiso e tal. Chega esta miúda perto de um computador com net e toca de saber o que é essa merda. A coisa não é assim tão porreira como isso. Podem me pôr de molho e de perninhas ao alto. Pode provocar aborto, não posso fazer esforços, pode provocar o nascimento prematuro do nenuco, pode me obrigar a fazer cesariana (que maçada e eu que queria sofrer a sério e tal), pode fazer trinta por uma linha e como já referi tenho mais uma semana a espera que a minha médica volte do veraneio para ver o que acontece.
Tirando isso, estamos óptimos e por enquanto os xutinhos da criança deixam me feliz que nem um passarinho porque a coisa ainda é mansa. Só penso, meu petiz não saias um futebolista de trazer por casa, se é para fazer as coisas, vamos fazê-las bem e torna te um ganda futebolista, senão, desiste já dessa merda e passa para outra, porque eu nem gosto de futebol nem nada.
Assim, vai escrevendo se faz favor, que estou grávida e preciso de me distrair e rir, que o negócio está parado e até vou de férias, lá fora, cá dentro, que é como quem diz, vou para casa, que afinal, estamos em crise e a coisa não está para luxos.
Vai correr tudo bem, o puto quer já dar ralações a mãezinha, porque mãe sofre e por isso, é só fita, vai sair fiteiro de certezinha.
Vai mexendo os olhinhos e os dedinhos e a coisa passa rápido.
Gravidez não é doença, mas se acham que é pêra doce, minhas meninas, façam fila e vamos lá tornar nos num país hiper populado... venham...
Beijos
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De Anónimo a 31.07.2013 às 16:29

Quando eu estava grávida, e já lá vão 23 anos, ou melhor, já se passaram 23 anos, em conversa com uma senhora cá da aldeia que já tinha um puto mais ou menos com a idade do que eu tenho agora, e comentando com ela os meus receios sobre o parto (eu tinha só 19 anos, tinha um misto de pavor com insconciência própria dessa idade, mas, pronto, as outras mulheres diziam que doia e eu tinha medo) ela disse-me isto que eu nunca mais esqueci e olha, Filipa, que já passaram 23 anos:
-Olha, filha, tê-lo é umas horas e criá-lo é para toda a vida.

Vem isto a propósito do medo do parto que referes. Agora pode parecer-te uma parvoice isto que te digo, mas verás como é tão verdadeiro. Daqui a 23 anos verás que "tê-lo, é só umas horas". Criá-lo é que é de valor.

Boa sorte, miúda!
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De Filipa a 31.07.2013 às 16:56

Tenho gente tão fofinha a ler-me.
:))

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