Tem dias em que vou ver as estatísticas do meu blog e volvidos alguns anos após o meu início, ainda me surpreendo. A realidade é que não procuro que este seja um blog com grande audiência. Posso-vos adiantar que recebo cerca de 600 visitas diárias e já acho demasiado. O ideal seria que quem cá vem, não fosse muito além das cinco pessoas e assim mantínhamos este agradável monologo em quase privado, uma coisa assim caseira, tipo o café do bairro onde quatro ou cinco criaturas vão ao pão e trocam algumas, poucas, ideias futebolísticas ou jogam uma sueca enquanto se comenta este filha da puta de calor, daqueles cafés em que os clientes entram balcão adentro, pegam no correio da manhã e vão para a esplanada ler, sem consumir peva, mas não. Tenho um vasto publico para agradar, cada vez mais atento e exigente e tem dias que isso me interessa. Não da óptica do utilizador mas pela perspectiva analítica com que fico, mediante o que as estatísticas me dizem e o que elas me dizem, meus caros, abona pouco a vosso favor. Estava a brincar. Quero lá saber quem cá vem, ao que vem e porque vem. Tomara eu saber o que ando aqui a fazer, quanto mais. A verdade, é que queria mesmo muito escrever assim à grande, exactamente o que me apetece, partir isto tudo para depois fazer de conta que não se passou nada. Mas não posso. Sou demasiado boa pessoa para isso. Agora não estava a brincar. Sou uma excelente pessoa e orgulho-me disso. Sou cabra só para disfarçar, e quando tenho de o ser, tenho mesmo que me esforçar. Tem dias em que me preocupo em escrever bem, mas o que eu queria mesmo era amerdalhar, escrever meia dúzia de merdas sem nexo e ir à minha vida. Colocar aqui uma imagem e os cinco clientes do costume vinham cá comentar com cenas que não tinham nada a ver e toda a gente ficava muito feliz e pronto, mas não. A malta insiste em ser uns conas de sabão e começa a criar laços. Começa a achar uma ideia fantástica trazer gente do virtual para o real e mais tarde verifica que a ideia afinal até é frutuosa e o caralho, mas não. Acontece que me oprime saber-me assim tão desanónima para quem gostaria tanto que nunca tivesse existido e o que eu queria mesmo era nunca ter conhecido ninguém da blogoesfera porque isto dos blogues só passou a ser bom para os dois lados, mais para o meu do que para o vosso, a partir do momento em que decidi que isto é só um blog.