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Sou maquilhadora profissional há mais de vinte anos, sou, portanto, uma artista, está explicada a minha excentricidade.
Tenho mais de quinze diplomas que certificam as minhas aptidões, e que ajudam a convencer a malta que afinal tenho mesmo jeito para aquilo.
Maquilho-me toooodos os dias, mesmo naqueles em que não vou além do café aqui da zona.
Compro tudo o que é máscara de pestanas só naquela de encontrar A máscara de pestanas e acho que finalmente encontrei.
Não preciso de espelho e maquilho-me em oito minutos.
Passo dias a maquilhar mulheres de todas as idades, cores e cheiros e há pouca coisa que me surpreenda ou intimide.
Estou sempre a par das novidades, tendências e lançamentos.
Tanto maquilho em televisão, desfiles e eventos como em espaços infantis, demonstrando assim quer a minha versatilidade quer a paciência que pensam que não tenho.
Esta arte, não tem, por via do tempo que perco a estudar, a investir em material e tempo a aplicá-lo, segredo quase nenhum, trato-a por tu ao mesmo tempo que lhe dou beijinhos de amor porque se sou uma pessoa feliz, também o devo à minha profissão. 
Por arrasto, sou uma expert em fisionomia, anatomia e até o francês que sei deriva deste constante aprendizado. Áreas como cosmetologia, dermatologia, até a porra das cores estudo que isto de maquilhar o pessoal não vai lá de qualquer maneira, não são novidade para mim, muito pelo contrário. Aprendi durante este tempo todo, a usar a minha sensibilidade em função da minha profissão, que é como quem diz, tanto me emociono ao maquilhar uma noiva, como me transformo numa terrível vendedora, caso alguma marca me contrate com o intuito de dar a conhecer determinado produto. Aprendi, nestes anos todos pré-João, a ser um pouco nómada, a não ligar às saudades, deixá-las a falar sozinhas, ignorá-las, fazer delas o menor de todas as somas. Tenho quase tanto tempo de voos, hotéis e viagens de carro do que da minha própria casa. Aprendi que o amor aguenta tudo, seja o amor ao meu gajo, seja à minha profissão, que nunca estiveram em rota de colisão, mas antes numa rota em comunhão. Aprendi que maquilhagem e cosmetologia não são futilidades. Faço muita gente feliz só porque as fiz sentir mais bonitas e só quem lida com pessoas sabe o quanto isso pode ser importante. Só podia estar numa profissão em que fizesse alguém feliz, é o que aprendo todos os dias. Aprendi que sou tão mais forte do que pensava, somos todos. Os limites, são os que nós queremos que sejam. Sou capaz de redefinir os meus, todos os dias. Aprendi a não chorar o quanto paguei pelo meu cinto de pincéis. Deixei de pensar quantas férias fazia com esse dinheiro, os jantares fora, as malas, os sapatos, a roupa que comprava. Aprendi a não ter vergonha de dizer que bastam dois pincéis para ultrapassar o valor actual do ordenado mínimo nacional porque trabalhar com as ferramentas certas, traduz-se em mais trabalho. Aprendi que somos o espelho do que fazemos. Nunca me apresentei a ninguém e em lado nenhum, desarranjada, desleixada ou desengraçada. Poupo em cartões de visita aquilo que invisto em mim, e isto também se aprende. Aprendi que a maquilhagem não tem regras, talvez por isso goste tanto do que faço.

Só há uma coisa que não aprendi até hoje:

Como caralho é que se coloca rímel em nós próprias sem fazer boca de broche?

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O meu gajo tem um blogue. É muito mais lido, visitado e comentado que o meu que isto da gajas, já se sabe, não podem ver um blog masculino que ficam logo possuídas. 

Querem arriscar?

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e fiquei indisposta com a responsabilidade que esta jornalista quis colocar nos ombros do puto ao perguntar-lhe porque ele não ajudava os mais necessitados, uma vez que é uma obrigação moral de cada um de nós, que olhava para ele e via uma pessoa fútil, se ele não se sentia mal por ter gasto tanto dinheiro numa festa com o país no estado que está e etc e falou inclusive, especialista que é, no valor do relógio que ele trazia.

Nem jantei.

Tive e tenho pena do fulano ser tão conas e não lhe ter dito que a obrigação moral dele era fazer o que quisesse desde que não prejudique ninguém, que pelo país estar como está, não é motivo para usar um relógio do chinês, que só tem que ajudar, quem, como, quando e se ele e a família dele quiser. Que se quiser lavar o Ferrari com champanhe, lava e se quiser comer a Pamela em Portugal, também o pode fazer, desde que mantenha e cultive os tais valores que a família lhe passou. Que uma pessoa por não penar para pagar a renda, comer ou criar os filhos, não tem que ser apontada, julgada, muito menos apedrejada em praça pública, uma vez que até resulta claro que o míudo prestou-se àquele circo justamente para apagar a imagem que gente como a sôtora Judite, criaram dele. A criatura ainda referiu algumas instituições que ajudava de alguma forma, porque ajudar, Dra Judite, não é só abrir os cordões à bolsa, mas percebeu-se o desconforto, uma vez que quem o faz por gosto, com o coração, como diz Lorenzo, não espalha, não se congratula nem vangloriza, mas a Dra Judite, que é Dra porque estudou, coisa que jovem Lorenzo também não fez (outra vez para a fogueira, pá, como te atreves??) não vai cá em cantigas e atacou-o de forma a que a única resposta que merecia, que me merecia, era o puxar de um livro de cheques e dizer:
"Pá, ó Judite, afinal não é da merda da maquilhagem que trazes hoje que te deixa com cara de cu, estás é verde da inveja que trazes ao peito desde que viste as imagens da minha festa. Diz lá aí quanto é que queres que o Lorenzo aqui ajuda-te porque é meu dever moral, para com quem te está a ver nesses propósitos, acabar com este espectáculo de merda a que chamas entrevista.
Vá diz lá, pá. Não tenhas vergonha."

Mas tem Judite, tem muita vergonha de ti.

Eu tenho.

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Ah!, Segurança social do catano, pá!

por Filipa, em 16.08.13
Um ano após a entrada dos papéis para o fundo de desemprego, no qual estive somente um mês, recebi hoje a indicação de que o pagamento está a caminho!

Se eu não fosse pouco mais que um par de mamas andante, que andam à rasquinha para rebentarem, ia festejar esta merda com uma puta de uma bebedeira!

E ai de quem diga que em Portugal nada funciona.

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Ora foda-se!

por Filipa, em 14.08.13
Tinha escrito um post tão arranjadinho, tão bem pontuado, com palavras tão bem utilizadas, sem nenhum palavrão, imaginem só, onde relatava a minha experiência, com pormenores medonhos acerca do trabalho de parto em si, de como a enfermeira da MAC que me fez festinhas no cabelo durante quase todo o processo e me humedeceu os lábios com uma gaze embebida em água quando já não aguentava mais com sede, parir faz sede, fosga-se, estava capaz de beber o soro pela mangueirinha, como fui uma valente e não me queixei uma única vez das dores, e se dói, cacete, se dói!, mesmo quando não está a doer, dói, é uma dor muito complexa para vos explicar exactamente onde e o que dói,  e de como passámos tão bem a nossa primeira noite em casa, todos os três, na mesma cama, abraçadinhos uns aos outros e a pensar que a felicidade é isto, é chegar aqui e não querer mais nada, que ser mãe é chorar, chorar porque o picam, porque dão vacinas, porque lhe tiram sangue, porque o incomodam e o põem a chorar e o miúdo odeia ser medido e não percebo a necessidade de o medirem a todo o instante, e não o largam que ele está bem é aninhado, com as pernas flectidas, no meu peito, a fazer barulhinhos deliciosos e que me fazem apaixonar por ele, cada minuto, um pouco mais e se isto continua assim, onde é que vamos parar?, que nasceu tão pequenino que tive medo de lhe tocar, tive medo que tivesse que sair da maternidade e deixá-lo lá, que não saía, eles que se amanhassem, que me custa tanto acordá-lo para comer porque ele é como eu; quer é sopas e descanso, que tem a minha boca e o beicinho que faz é só assim a coisa mais espectacular do mundo e umas bochechas prontinhas a serem amarfanhadas com tanto beijo.
Tinha, mas desapareceu tudo que desde que o blogger mudou aqui umas coisas que cenas me desaparecem e até bem fixes, e ele está aqui a dormir ao meu lado e eu quero olhar para ele, decorar os seus traços, ouvir os barulhos que faz, cheirá-lo, falar com ele com uma voz infantil, aproveitá-lo, antes que o pai chegue e me comece para aqui a falar de gajas com o míudo, um conas destes que quando lhe passaram o miúdo para o braços, em plena sala de partos, se sentiu mal e com isso fez com que as atenções que supostamente deveriam estar centradas em mim, passassem a ser só dele. Um lindo espectáculo, por acaso, eu tive que esperar que me acabassem o serviço (faço uma pequena ideia da merda de trabalho que fizeram quando me coseram), porque senão o gajo ficava-se-me ali, no chão, provavelmente a estorvar, inanimado e eu era gaja para me levantar e dar-lhe uns bananos a ver se voltava a si.
Enfim.

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