Estou aqui raladíssima com o concerto de logo à noite.
Nem sei bem como nem quando comecei a ouvir Scorpions, mas desde miúda que os vejo a acompanhar-me sobretudo as desilusões amorosas que em certas idades são altos dramalhões. Lembro-me de um ano lectivo, um dos mais importantes na vida de um gajo que é quando se saí da escola dos meninos e se entra na dos manfias, ou seja, a transição do segundo ano para o sétimo. Desde muito nova que em mim brotou um enorme sentido estético e o apelo para a conjugação perfeita do vestuário era enorme e urgia. Não ligava a acessórios, mas misturas de padrões perigosos e texturas opostas, era o meu forte. Tendo isto em conta e a mania que a minha mãe tinha que era a de me deixar vestir o que eu bem entendesse, lá fui eu, no meu primeiro dia do secundário de t-shirt preta com o grupo alemão estampado para quem quisesse e mesmo para quem não quisesse, ver. Desde aí, nunca mais fui a mesma e a infância inocente e brilhante finou-se a partir desse mesmo dia. Fiquei para sempre marcada como a-que-tem-a-mania-que-é-metaleira-é-tão-out-que-nem-faz-ideia e andei o secundário inteiro no grupo dos enjeitados que usavam botas com picos, calças pretas gastas e acho que uma delas até um brinco tinha, imaginem.
Ainda hoje esse estigma me acompanha mas hoje já tenho orgulho disso.
As músicas deles acompanharam-me em muuuuuitos desaires amorosos e chorámos muito todos juntos. E queira deus que toquem Lady Starlight e que enfiem o Still loving you num sítio que eu cá sei que já não há cu para essa merda.
Raladíssima porque não tenho t-shirts à altura e tenho que ir vestida à mãe de adolescente, e porque não tenho desamores para chorar.
Depois mostro-vos como foi.