Cenário normal: perco carteira com tooooooodos os documentos.
Todos.
Caguei na cena, nada de anormal, nem sequer me chateei quando me lembrei dos duzentos euros que lá estavam dentro para pagar uma merda qualquer que já não me lembro o quê, algum imposto por certo.
Começo por ir à polícia, é assim que se faz, não é?, pergunto e dizem-me que sim, é.
Pimbas, pagas para participares a perda de um bem teu.
Já nem queria o dinheiro. Só os documentos, ou apenas alguns deles, nomeadamente a carta de condução (preciso dela para trabalhar), já me fazia muito feliz, independentemente do valor que paguei ao agente para lhe dizer quantas moedas tinha na carteira e de que valor eram as notas.
Com o papel da polícia fui fazer o cartão de cidadão (pagas e não bufas), dei baixa dos cartões de crédito e multibanco e mandei vir outros (pagas e não bufas). Comprei carteira nova só para documentos e outra para as outras merdas na esperança de que para a próxima perdesse as cenas aos bocadinhos para o transtorno não ser assim tão grande.
O grande quê foi a carta de condução.
Como tinha alterado a morada andava com uma guia até que me enviassem a carta actualizada e lá veio a carta registada dos senhores do IMTT. Ora, nos CTT fiquei a saber que para levantar a nova teria de entregar a antiga, coisa que não ia ser possível porque a guia foi com o caralho, conforme relatei lá mais para cima. De qualquer das formas também não a poderia levantar porque ainda não tinha o cartão de cidadão. resultado: Carta de condução de regresso ao IMTT e se queres anda cá buscá-la.
Caguei mais uma vez na cena até que me decidi ir, mas depois uma pessoa começa a ouvir relatos, totalmente perturbadores como seja o caso de horas, manhãs, dias inteiros à espera que o número da senha avance, só existe um determinado número das mesmas por dia, que o espaço não dispõe de ar condicionado, o número de cadeiras é limitado e aquilo começou a trabalhar-me cá dentro e veio-me à lembrança as horas parecidas no posto médico (vai na volta é no mesmo sítio, já que as características andam tão de mão dada) e decidi que aquilo não era vida para mim e mais uma vez, lema da minha vida neste tipo de cenas, caguei.
Pesquisei, pesquisei e tornei a pesquisar mais um poucochinho e dei com um endereço de email dos senhores lá do IMTT e vá de expôr a situação e de fazer o choradinho de não poder lá ir porque tenho muito trabalho, porque moro longe, porque o céu é azul e as abelhas picam.
Está bem, mande morada e vale postal de cinco euros e fazemos chegar a carta.
Chegou hoje, num envelope manhoso, sem aviso de recepção, sem vir registada, nada. Um mero envelope com a minha carta lá dentro. Bastaram cinco euros para que a paneleirice de ter de se entregar a antiga para se levantar a nova, bem como a outra paneleirice do titular da carta ter de se identificar, caírem no esquecimento destes quasares de esperança. Podia ser pior, que cinco euros não dá nem para a bica num sítio decente.
Chegou hoje e já lhe dei muitos beijinhos.
Hoje.
Passados dois anos.