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planos para esta madrugada

por Filipa, em 27.07.14

Nós, o puto, um céu estrelado lá fora e uma malga disto cá dentro.


Como é sabido, volta e meia saio do meu posto de trabalho quentinho, sossegadinho, arejado e pintado com cores que proporcionam calma e bem estar, para me misturar com a plebe, raio de ideias que às vezes me trespassam mas se assim não fosse, também não teria com o que me/vos divertir. E é quando dou conta que afinal, a maioria do comércio em Portugal tem o cliente que merece, o Português; mal disposto, feio, porco e mau. Esforço-me por contrariar esta natural tendência lusa quando passo para esse lado, o do cliente, e tento ser uma boa menina, simpática, bem educada, com vontade de ajudar e de descomplicar as coisas. Sucede que o comerciante, tal como o cliente no seu geral, emburreceu e enzarolhou, maneiras que toma a parte pelo todo e é tudo tratado às três pancadas e eu não estou para isso. Pessoas, o meu dinheiro vale muito, vale muitas horas de trabalho, muita dor de cabeça, muito calo na mão, desidratações e tonturas, não posso, por isso, permitir ser destratada de qualquer maneira. Quanto muito aceitaria sê-lo caso se desse a improbabilidade de ser recíproco; nunca é. Sou uma menina de berço, transpiro boa educação e exijo-a de volta, nunca menos do que isso.
Este ano tem sido farto no que diz respeito às reclamações que tenho aspergido aqui e ali. Não me lixem!, prezo muito a minha inteligência e vê-la assaltada da forma com que têm tentado, faz com que toda a minha boa vontade me encha os dedos de personalidade e lá vai alho, é um regabofe isto de pedir o livro de reclamações. 
Como sou pessoa que gosta de ir logo à fonte, que isto de águas paradas só dá é azia, dei-me ao infortúnio de ir pesquisar a entidade certa para a qual deveria dirigir toda a minha verve de consumidora lesada e, tirando a aparente indissolubilidade do caso MEO, a entidade é a tão conhecida ASAE. Em resposta aos quatro casos que me aconteceram e que considerei existir lugar a uma intervenção de entidade capacitada, obtive sempre a mesma carta. Transcrevo um pedacinho para nosso/vosso deleite: "cuja apreciação não cabe nas competências da ASAE". Telefonei para lá e fiquei a saber o mesmo. O inspector que me atendeu só me soube dizer o que não podem fazer. O que podem fazer acho que nem os próprios sabem. Sugeria que colocassem uma gravação logo à entrada do telefonema a informar em que caso é que são úteis para que uma pessoa não vos roube tempo útil. Chega a dar dó incomodar com coisinhas tão desimportantes. Não sei o que os outros fizeram, mas eu cá fartei-me de pedir desculpa que um gajo dá bem conta de quando está a ser inconveniente.
Temos um caso em que um stand de automóveis alterou a quilometragem de um carro que comprei; temos outro caso em que a minha mãe foi desrespeitada, ofendida até, por uma funcionária do supermercado Continente; depois o mesmo stand de automóveis que me entregou o carro na mesma, depois de supostamente o ter arranjado, pior, partiram-me o guarda lamas e riscaram-me o vidro traseiro todo; depois ainda a CP a fazer das dela, a intrujar o pessoal e anunciar o comboio numa linha que não a normal para depois este passar na tal linha que não era. Como consequência, uma fulana (eu) com um bebé às costas (o meu), às tantas da noite (uma da manhã) numa gare cheia de homens grandes e feios enquanto o marido (o meu) a esperava na estação do destino e jurava que sim, o comboio tinha passado enquanto ela (eu) dizia ser impossível porque anunciaram o comboio naquela linha e não tinha passado nenhum; e o último depois o de uma loja que vende cenas para a casa e onde comprei um balde com a respectiva esfregona e onde a existência das respectivas recargas não passa de um grande mito, uma vez que nuuuunca ninguém as viu à venda. Portanto, ou têm a sorte de uma única esfregona vos durar toda a vida, ou então quando esta perecer, deitem todo o conjunto fora. Não sabiam da existência de baldes e esfregonas descartáveis? O espaço casa tem lá uns muito airosos pela módica quantia de trinta euros.
Em nenhum dos casos os senhores da ASAE puderam intervir uma vez que "cuja apreciação não cabe nas competências da ASAE" e eu só penso porque caralho a morada para a qual se devem mandar as reclamações feitas no livro de reclamações dos próprios estabelecimentos, é a da ASAE?
Este país gosta de pessoas estúpidas, não duvidem, e de vencer o consumidor pelo cansaço. Quanto a mim, fiz uma minuta que hei-de mandar tantas vezes quantas a mesma resposta me chegar, que eu gosto de brincar com quem se presta à brincadeira e porque considero que existe gente muito mais estúpida do que eu.

e dizei aqui à Filipa porque raio ainda ninguém se lembrou de inserir este touro em nenhuma associação por forma a ser recuperado senão física, ao menos psicologicamente?
E aos porquinhos, a todos os três? Consideram acaso que servirá de exemplo aos demais porquinhos? Que esperam obter com esta atitude tão animalesca? Não há por aí ninguém que lhes dê um lar digno para que não vejam os seus dias terminarem assim, com tão pouca dignidade? 
Agradecida.




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