Esposo foi de viagem e pousou em meus ombros a inglória tarefa de lhe tratar do animal de estimação, i.e, a inútil da cobra. Antes de sair deu-me uma série de directrizes que eu deveria seguir à risca, sendo que a mais premente era a de entrar em contacto com o fornecedor da rataria, uma vez que no meu no frost já só jaz um e na Quinta-feira a bicha tem de comer. Ora, eu tentei, Deus, como tentei, explicar ao criador do ratedo como os queria. A determinada altura o homem vê que se não tomar as rédeas ao assunto nunca mais era Sábado e vai de me colocar diversas questões com vista a saber ao que eu ia. O tamanho. De que tamanho queria os ratos? E eu disse que nunca os tinha visto assim mesmo bem mas que tinha uma vaga ideia de que eram pequenitos. Com pêlo ou sem pêlo? E eu, com pêlo que eu já bem vi a cobra a vomitar o pêlo, maneiras que deduzo que aprecie comer o rato completo. Então e quer recém-nascidos? Comecei a ficar um pouco indisposta e disse-lhe que se calhar mandava-lhe mas era uma uma foto por email e ele que visse. Combinámos assim sem que eu me lembrasse que não há cá mais ninguém para fotografar o cadáver roedor senão eu mesma.
Estou muito fodida, não estou?