Tinha eu para aí uns sete, oito anos, quando vi, numa caixa de papelão cheia de furinhos que o meu pai trouxe para casa, um coelhinho branquinho, de olhinhos curiosos e vemelhos, a graça que eu achei aos olhos vermelhos, de pelinho macio e quentinho, era tudo em "inho", cabrão do coelhinho era mesmo fofinho. Vai daí que o tirei da caixa e o coloquei no meu colo. Já na altura era maluquinha por animais, até osgas tinhas. Foi uma bonita tarde de convívio unilateral: eu fazia-lhe festinhas e ele limitava-se a estar ao meu colo e a ser coelhinho. Até que o meu pai chega, agarra no coelho e zás!, dá-lhe um esticão e nessa noite o jantar foi coelho já não me lembro à quê. Eu chorei baba e ranho, pensei até em despromover o meu pai do cargo, não jantei coelho e nunca fui capaz de comer coelho, aliás, nem sei a que sabe.
Moral da história: é seguir em frente, pessoas.