Mais do que as mazelas do tempo no corpo, a falta de paciência, a mania que sei mais, porque vivi mais, do que os mais novos, esta merda de fazer quarenta anos aborrece-me na medida em que tenho menos tempo para cá andar, menos tempo para ser mãe, menos tempo para ser filha. Isto é coisa para ir dando cabo da cabeça a uma pessoa, sobretudo a de uma com 40 anos, cheia de dores nas cruzes e de bicos de papagaio.
Foi um ano um bocado enconado, mas no final de todas as somas, não me posso queixar. Tenho um filho lindo-ainda hoje não sei como o fiz, escusam de perguntar- e saudável, um marido à medida-também não sei o que fiz para o merecer- e um trabalho que é uma merda, devido a you know who. Também não sei que raio fiz eu para merecer tal peçonha, mas quero muito acreditar que é Deus, esse tipo com um sentido de humor que, enfim, a equilibrar isto tudo, porque pessoas totalmente felizes e realizadas sucumbem a maus olhados, invejas e afins. O que eu sei é que este ano não foi nada mau e se a minha mãe não tivesse dado entrada hoje (lá está; Deus, no seu melhor) no hospital para uma cirurgia, teria acabado muito melhor.
O próximo vai ser fantástico.