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por Filipa, em 09.12.14
os médicos do meu país, andam todos fodidos com as merdas que o estado lhes tem feito, olha, eu também. Chupadinha até mais não, no fundo, todos somos funcionários públicos, mas sem a parte boa da equação. Diz que andam mesmo chateados, com tudo, então com aquilo de trabalharem mais umas horas por semana nem se fala, quarenta ou lá o que é, não sei o que é isso de trabalhar menos de cinquenta e de não o fazer com gosto, mas eles andam que não se aguentam, os nossos médicos. Os enfermeiros, esses ressabiados que no fundo não passam das sobras dos médicos, ainda estão pior. Que são poucos, que ganham pouco, que trabalham muito, que os acamados cheiram mal, "O da cama 17 já comeu? Ainda não? Epá, assim não dá! Ele que coma, que tenho o resto do quarto para medicar", "sou só uma, tem de esperar", "já vou", "O QUIÉÉÉÉÉÉÉ?????", o caralho, já não os posso ouvir, tão farta destas putas, carpideiras dum cabrão, acham que largar coices em todas as direcções lhes vai permitir ter o seu emprego de sonho, que para aquilo que ganham já muito fazem eles, foda-se, tratar de um ser humano, cuidar dele, aliviar-lhe as dores, tornar-lhe a existência mais calma, menos sofrida, há quem pagasse para o fazer, eu pagava. Tentar compreender os familiares, um sorriso, pá, um sorriso e a malta já fica mais quentinha, já se renovam esperanças, já se descansa os olhos, sabendo que a vida de quem tanto amamos, está nas mãos de alguém que merece estar no emprego que está. Mas não! Assim, a toque de caixa, de qualquer maneira, que se foda, hoje está cá este, amanhã já está outro a chatear os cornos à malta com a puta da fralda que está cheia de mijo, e ai que trabalho mais cinco horas por semana, deixa-me lá culpar este velhinho que até tem caparro para isso, assim é que os doentes merecem ser tratados porque o estado não sei quê aos enfermeiros e aos médicos. Há muito que não vejo um enfermeiro a fazer o seu serviço, aquele para o qual é pago e bem pago, sem ser em mood contrariado, mal disposto, de mal com a vida, com o mundo, com a sua existência e sobretudo com a dos outros. Os médicos, enfim, alguém devia de arranjar um adjectivo suficientemente amplo que os caracterizasse em toda a sua filha da putice, porque para estes crânios, os que não estudaram horrores para doutores, para saberem o estado clínico dos familiares, têm de andar às apalpadelas. "Mas é operável?", "Uma biópsia, para quê?" "estadio 4"? "cintilografia às nove?" Custa-vos muito, caralho?, serem claros e objectivos?, a paciência que me poupavam, ela que anda tão curtinha. O pior é que não o fazem porque estão prestes a dar uma má notícia. Fazem-no porque não têm paciência para o contrário.
Para se ser médico ou enfermeiro é preciso merecer sê-lo, é o que vos digo. Não merecendo, é ir fazer embrulhos para o Continente que o Natal está à porta.

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