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mas apagar posts e talvez, quem sabe, um blog, não apaga o teu caractér.

 

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Caraca!

por Filipa, em 20.03.15

bruno.jpg

 

 

foto daqui

 

anda tudo doido com este homem, fui pesquisar que eu cá não falo sem antes o fazer e, tau!, descobri a sua nacionalidade.

A sério que há mulheres que acham piada a brasileiros??

 

 

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A minha chefA é o tipo de pessoa

por Filipa, em 20.03.15

que gosta de ver toda a gente bem disposta e com um sorriso nos lábios. Vai daí que colocou extensões até à cintura, cujas pontas estão todas escavacadas pelo menos até a meio do seu comprimento, num cabelo que é lavado quando o lua é eclipsada.

 

 

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a verdade é que ainda estou muito revoltada com a puta da vida. Deixou-me órfã de pai, como é que se faz as pazes quando algo deste calibre está envolvido? 

O meu pai não era o mais perfeito, não era o maior, não me dava banho, não me mudava as fraldas, não me aturava nas doenças, não era um pai presente. Tenho a ideia de que haverá poucos, da sua geração, que o tenham sido. Mas era o que me estragava para compensar as ausências e pouco jeito. Era o que me passava para as mãos os seus carros para que eu começasse a conduzir, ainda eu mal chegava com os pés aos pedais. Era o que todos os Domingos ia ao cinema comigo, ver filmes que não eram para a minha idade, e à vinda contava sempre a mesma história; a pipi das meias altas que ganhou uma bicicleta nova e se escoirou toda numa descida. Contem-me essa história ainda hoje, a ver se não rio quase até cair para o lado. Aos treze levou-me a sair, pela primeira vez, à noite, como me senti adulta naquele dia, e foi o que fez com que a música fizesse parte de mim desta maneira tão absurda. Mas música a sério; havia poucas miúdas daquela idade a ouvirem Led Zeppelin ou Mötley Crüe. Eu ouvia. Era o que me levava aos melhores concertos. Quando faleceu e lhe arrumámos as coisas, fiz questão de ficar com todos os bilhetes, nem sabia que ele os tinha guardado. Guardei também uma agenda, pequenina e preta, onde tinha apontado vários números de telefone. O meu lá estava, Filipa. Por baixo "minha filha". Era o da paciência infinita para os meus disparates e era o que me apoiava em tudo. Menos nas tatuagens. Sou assim por seu mérito, ainda que nem tudo seja bom, reconheço. 

Não era perfeito, sendo.

Todos os dias lhe peço desculpa por ter sido tão pouco. Não fui a tempo de ser mais. Perdi tanto tempo com braços de ferro, os adultos sabem mesmo foder esta merda toda, tanto tempo com teimosias da treta, que nem parei para pensar, e se ele me falta? 

O arrependimento mata mesmo. Aos bocadinhos, que é para custar um pouco mais.

É um dia triste, este.

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O estranho caso da chave saltitona.*

por Filipa, em 16.03.15

Capítulo primeiro

 

 

João perscrutou toda a sala. Precisava de encontrar algo cortante, alguma coisa capaz de abrir o gato ao meio e ao mesmo tempo que deixasse uma costura perfeita. Não queria matar o bicho, queria apenas a chave. Ou talvez quisesse, o gato ou a chave?, a chave ou o gato?, a questão martelava-lhe os pensares, toldava-lhe os raciocínios.

De repente, estático, repara que num dos ricochetes, havia saltado de uma jarra de água, estilo Luís XV, em casquinha, brilhante, um espectáculo de jarra, três objectos, qual deles o melhor; uma faca de barrar Planta, uma colher e um aparelho de raios X.

Tirou do bar uma garrafa de Bushmills-Irish Whiskey. Sentou-se ao lado do gato e, comparsas, beberam o néctar em silêncio, enquanto pensavam na vida.

João esperou.

Quando o gato adormeceu, meteu mãos à obra, o tempo urgia. Maria, arrebatada pela braveza de João, paralisada de admiração e enlevo, assistia à ligeireza dos seus movimentos, de boca aberta. Em dois minutos João tinha o serviço feito, nascera para aquilo.

De mangas arregaçadas e de olhos diabólicos segurava a chave ainda molhada de sangue, elevando-a, qual troféu. Com o entusiasmo a chave escapa-se-lhe da mão, bate em mais meia dúzia de coisas espalhadas pela casa indo ricochetear, por último, no dente do siso, o esquerdo, de Maria, que se mantinha boquiaberta, remetendo-a para o interior do seu ser.

João sossega Maria. Decidem esperar que Maria cague a chave, mas Maria, que é presa de intestinos, sente-se inquieta.

Esperaram.

Quinze dias de espera solitária, de quilos de kiwis e de xarope de maçã e nada. Quando João viu que a única coisa que Maria tinha para lhe oferecer eram pequenos e intimos peidos com aroma estranho, tirou-lhe, à socapa, um RX. De perfil, o seu melhor ângulo. Não esqueceu, o amor tem destas coisas.

Encostou a chapa à janela e voilá; a chave não era cagada porque estava atrás de um olho. O esquerdo.

João procura soluções.

João lembra-se da colher.

 

capítulo terceiro

*Post feito em parceria

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