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que lá abro as comportas. Sou muito solidária nestas coisas do sentimento e por só chorar quando estou a sofrer, quando a minha alma já não sabe o que fazer à vida e começa a rabear, é que choro quando vejo chorar, é que choro quando vejo sofrer. Mesmo quando não faço ideia do que aflige quem chora. E isto, esta mania que se me aflora amiúde, deixa-me muitas vezes em maus lençóis: é que eu gosto e cultivo a ideia de que sou uma durona, há anos que passo por uma. Sucede que as desculpas já não fluem como dantes, muitas das vezes as que saem de qualquer maneira, saem embrulhadas em soluços e ranho. Acho que ninguém toca no assunto para não me arreliar mas as pessoas começam a reparar. O meu disfarce neste momento encontra-se em perigo afinal uma durona não chora por empatia. Muito menos com a saída da Marta do Masterchef, não chora a ver os ídolos, não chora porque chega a casa à noite e vê o jardim cheio de pirilampos, não chora com as danças do Dança com as Estrelas, não chora quando o seu filho ri dos olhos quando a vê, não chora quando está triste e alguém lhe pergunta "o que tens?" Uma durona tem principios e o mais básico é não chorar.
Felizmente estou muito melhor, é o que me vale.