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Conforme sabeis, inaugurei há atrasado uma rubrica cujo objectivo era dar-vos a conhecer os blogues mais amorosos em que tropeço no meu jogging blogueiro diário. O primeiro foi um sucesso, pese embora o facto de não só não ter recebido da visada sequer uma palavra de agradecimento, como também foi espalhado a todos os ventos que a autora do blog se assustou.
Continuo, portanto, uma incompreendida de sentimentos feridos por quem se caga para pequenos gestos de ternura. Uma pessoa arrisca tanto de si, ao aprofundar o blogolodo, entrar nas catacumbas dos blogues de merda, extrair a sua essência, empandeirá-la para aqui depois de devidamente limpas, vestidas e perfumadas, para depois perceber o quão ingrato o mundo consegue ser. Ainda assim decido levar a minha avante e trazia-vos hoje outra piscina de pensares soberbos e periclitantes, onde vos iríeis decerto, afundar em tanto conhecimento.
Bom.
Penso melhor e arrascunho o texto. Os ânimos andam em constante ebulição e mal o pessoal se descuida, mal dá um peidinho inocente, toma!, bullying cibernético, processo no lombo, assim não dá, reduzem a cinzas a inspiração do artista, nesta fogueira de vaidades.
Em vez de prestar autêntico serviço público, decido trazer a lume, mesmo ali até ao limite do ponto de caramelo, o nosso ponto de vista, o ponto de vista do incauto leitor.
Sim, às vezes sou só leitora e se há coisa que me dói é que não se lembrem que também eu sofro, a um ritmo frenético, de bullying e não vejo ninguém preocupado com isso. Há bloggers que, por força do que têm para oferecer, são um perigo, uma ameaça à saúde pública, para quando legislação que os faça parar?, fica a questão.
Sofro disto, diariamente e em doses mortais, quero ver quem é que se vai chegar à frente, se me der o badagaio:
1) Perseguem-nos constantemente com o péssimo gosto para outfits, sapatos e malas. Uma pessoa abre um post e é todo um festival de luz e cor que se chega a pensar que andam ao despique da pinderiquice. A mais pirosa ganha.
Alguém devia pôr um travão nisto, cada vez estou pior dos olhos.
2) Esmagam-nos com as suas vidas perfeitinhas, filhos perfeitinhos, maridos perfeitinhos e animais perfeitinhos. Alguns nem cagam nem nada. Limitam-se a estar ali, perfeitos.
3) Juntam-se para serem mais fortes e, com isso, matar mais leitores de tédio.
4) Humilham-nos e espancam-no com biqueiradas fatais nos rins da nossa inteligência, com o seu conceito muito próprio de publicidade às claras. É tudo óptimo, útil, barato. Mas tudo sempre muito sincero.
5) Partem-nos ao meio, mesmo ali pela espinha, se ousamos fazer o mesmo. Nós só queremos ser cá da malta, que mal tem seguir os melhores? Nunca percebi muito bem esta exclusividade.
6) Sobe-se-nos a tensão arterial a níveis obscenos, com a repetição da descrição pormenorizada de, por exemplo, toda e qualquer ida à casa-de-banho. Ele é o cheiro, a textura, a consistência, a cor, a posição, a estanqueidade, o peso. De seguida explicam quantas vezes lá foram e porquê. E o que levavam vestido em cada ida.
E o estado de espiríto e a dica do dia em cada vinda.
7) Tiram-nos o ar com os murros certeiros que nos dão no estômago da nossa resiliência. Está bem que ninguém nos obriga a visitá-los, mas não vejo ninguém a castigar quem não consegue desviar o olhar de um acidente.
8) Fazem-nos perder a fé. Aquele dia em que finalmente haviam de nos brindar com um post interessante, pura e simplesmente não vai chegar. Há que encarar as coisas com frieza e pragmatismo, colocar os pés no chão e investir as nossas forças noutras coisas mais viáveis. Eu ando a investir as minhas na descoberta de monstros telúricos, mas a escolha é vasta.
9)
(vou deixar o post em aberto. Sei que há por aí quem esteja a passar pelo mesmo que eu. Há pessoas que desconhecem os limites, há que pôr cobro a este flagelo)