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Amizades al dente

por Filipa, em 08.06.13

É normal as pessoas morrerem-me, não percebo muito bem as caras que vejo quando o digo, sinceramente.
E morrem-me pelas mais diversas razões sendo que a mais premente é o factor "apetece-me". As pessoas que me morrem são as que me chegam com prazo de validade, pessoas com as quais eu já sei que vou ter história breve porque pouco ou nada têm para me acrescentar, pelo contrário. E não, não se aprende sempre algo com quem connosco se cruza.
Merecem-me poucas considerações além da certeza de que podia muito bem ter gasto o tempo que perdi, a aprender a ser uma melhor dona de casa que assim não fazia do homem o meu criado. Quando as pessoas me morrem não lhes sinto a falta, não lembro momentos bons, não recordo cafés, jantares, saídas, nada. Todo o luto é feito de alívio, saltinhos e sossego. Aconteceu ja ter perguntado a mim mesma algumas vezes porque deixo chegar este tipo de relações ao ponto de lhes fazer luto, ao que respondo, com um sorriso tranquilo na minha cara de bolacha, sou uma altruísta, eu. Tudo por amor ao próximo. Contudo, o meu amor é defeituoso: posso amar muito, mas gasto tudo muito rápido. Não sei deixar um bocadinho para amanhã, não sei amar incondicionalmente, não sei levar no focinho e dar a outra bochecha, não sei aceitar sem compreender. Não sei dar o braço a torcer quando entendo que não é o meu que deve torcer. Não sei voltar quando me deixaram ir. Não sei ser boa quando me querem má. Há pessoas que me morrem e escolhi o meu blog para me ver livre das suas cinzas porque são pessoas que continuam a saber de mim desta maneira, tão pequenina e traquina. Cobardemente, invadem-me a pseudo privacidade que aqui tenho, para me lerem a alma, para saberem de mim, quando na vida real, na que interessa, fingem que não querem. E é quando me morrem mais um bocadinho, quando eu pensava que tal já não fosse possível. Poderão então continuar a ser uns cagalhões que para aí andam que eu cá continuarei a contar das minhas cenas à minha maneira para alegrar os dias aos penicos. E Deus sabe a capacidade que me deu de falar, falar, falar e não dizer nada de concreto.


As pessoas morrem-me, não sei se já vos tinha dito, paciência.

Paz às suas almas.

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19 comentários

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De Zé a 08.06.2013 às 16:45

agora tocaste num ponto frágil. sinto muito da desilusão que estás aqui a ensaiar, sobretudo depois de ter filhos e descobrir à má fila quem eram os amigos que de facto manifestam interesse na minha vida, e não apenas na minha companhia (por isso prepara-te para encaixar um massacre). a grande diferença entre nós é que eu nunca lavaria a roupa com tanta raiva e tenho mais que um texto a lavá-la, porque secretamente sinto que a culpa é partilhada, como em todos os lutos. certamente fruto da minha educação católica.
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De Isa a 08.06.2013 às 20:03

Adorei, subscrevo quase tudo. aliás, vou roubar um bocadinho...
Besos
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De onónimo a 08.06.2013 às 20:25

ah, esta energia vital da palavra! é um desperdício o período de privação que medeia estes posts!

Beijo, Gorduchinha!
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De Alima das Cartas a 09.06.2013 às 01:25

Partilho a mesma sensação que tu... Rapidamente também me canso das pessoas com alguma facilidade. Ainda ontem escrevi algo sobre o como superei bem o afastamento que houve entre a minha (ex) melhor amiga e eu. Chamem cabra insensivel, mas nada a fazer...
Alima
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De Anónimo a 09.06.2013 às 11:33

Sei que continuo bem vivo na tua cabeça.
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De Filipa a 09.06.2013 às 14:29

E eu na tua. Desconfio até que esta bonita história de amor jamais morrerá.
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De Filipa a 09.06.2013 às 14:30

Só mesmo eu para ter paciência para estas merdas!
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De Filipa a 09.06.2013 às 14:45

Zé, que saudades!
Acaso já te disse o quanto gosto de ti?

Pá, até tenho mais textos onde conseguia, e de uma maneira mais concreta e muito mais personalizada, expôr na integra e na perfeição, as filhas da putice a que sou sujeita por quem diz que é meu amiguinho. Sucede que ando com mau feitio e em calhando, era gaja para pormenorizar mais que a conta e depois é que era.

E a roupa lava-se é com raiva, por forma a que o encardido fique pelo caminho.
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De Filipa a 09.06.2013 às 14:47

Ó, a ausência é forçada, fofo. Por mim passava o dia nisto que sou um poço inesgotável de pensares lindos e profundos.
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De patrícia a 09.06.2013 às 17:57

Vim aqui ter graças à pólo norte, e a sério que adorei. Subscrevo completamente!

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