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Não sou pessoa para estar sempre de mal com a vida. Às vezes, e só às vezes, o meu coração abre-se, deixa que os raios de luz mais luminosos o invadam, que a brisa primaveril o areje e de repente, só respiro felicidade, canto-me os parabéns e bato-me palminhas, benzendo o dia em que decidi dar um lar digno e profícuo a determinado produto cosmético. Tudo por vocês, minhas pequenas, tudo por vocês que em vez de estar a dormir estou aqui a orvalhar-vos com todo o meu know how cosmético de isenção feito, na esperança de que deixem de gastar o vosso dinheirinho em cenas que se deitam fora por vias de se apresentarem uma grande merda, e passem em investi-lo em pequenos tesouros. 
Volta e meia desço do altar de onde me encontro e vagueio por lojas mais corriqueiras, afinal em me apetecendo, também sou do povo. Acontece amiúde tropeçar nalgumas cuja postura empresarial no geral e na óptica do trabalhador em particular, me causa alguma repugnância. Sou sensível a estas coisas, que querem?, chega a ser motivo de divórcio litigioso, porém sofrido, entre mim e algum produto que ame, mas bolas, um gajo suporta tudo numa relação do género, menos falta de valores. Como estava a dizer, a forma como a empresa que comercializa, e neste caso em concreto realiza os seus produtos, trata as pessoas que por ela dão a cara, influencia sobremaneira a forma como eu a vejo e desta feita não vos trago boas notícias. 
Falo do Boticário, empresa muito verde, cujo baluarte assenta na preservação da floresta amazónica e nheco-nheco, os compostos dos seus produtos são artesanais e nheco-nheco, a origem é brasileira e por cá dão cartas, o que não é de estranhar, dada a conjuntura eterna deste País versus o preço que praticam. A qualidade é o de somenos, dado o que representam acima de tudo. Dei por mim a entrar numa loja destas onde trabalha uma grande amiga, que há muitos e longos anos mantém uma história sofrível com esta empresa e que me tirou, imediatamente, a vontade de comprar o que quer que fosse lá. Eles é que perdem, sou a fome e a vontade de comer quando gosto de uma coisa, nada a fazer, e pela parte que me toca, irei espalhar a palavra, que uma empresa que tanto respeita os animais, a relva, as ervas daninhas e os lírios que desabrocham no solsticio e o caralho, é incapaz de o fazer com as pessoas que todos os dias a torna um pouco maior.
Portanto, fechei a minha carteira e entrei na loja ao lado e ei-la, a Painite dos verdadeiros banhos de beleza, a coisinha fofa dchi mamãe:
 
Gommage "tonic" corps aux huiles essentielles, Clarins
 
 
 
 
O objectivo era mesmo comprar um exfoliante uma vez que o meu da Sisley já era e urgia livrar-me destas células defuntas que insistem em fazer da minha pele, casca de cavalo (um pequeno dark spot na minha relação com a Sisley e mal me recomponha do desgosto, falarei dela. Snif).
Posso dizer-vos que de cada vez que me começo a exfoliar com este produto, tenho de me amparar na parede e beliscar-me a ver se isto tudo é verdade e de todas as vezes, era. Devo deixar o alerta de que este pote de autêntica mirra é composto por etéreos cristais de sal e açúcar que (e após exfoliação corporal que é feita com a pele SECA e que é entendida pelo corpo como uma massagem de tal forma relaxante que vos deixará capazes de voar até ao Brasil e mandar uma chapada ao Ronaldo e outra ao Paulo Bento a ver se começam mas é a fazer pela vida) mal o jacto de água morna vos toca a pele, se desfazem deixando-vos na improvável dúvida acerca da sua eventual existência ao mesmo tempo que esta vos é garantida por vias do manto de óleos essenciais que desabrolham com a inusitada união (cristais e água) e vos cobre o corpo de frescor, maciez e hidratação. Chegais, garanto-vos, a pensar senão será Houdini a fazer usucapião da vossa pele para entreter a mais exigente das plateias, um desassossego perceber a química deste produto. Não olvidemos a aromaterapia que a marca embandeira em arco porque este é um facto latente em toda a linha corporal. É como ter um pomar em casa, cujos aromas frescos, verdes e cítricos dançam juntos, feitos parvos e se escondem pelos cantos mais escondidos. Quando menos se espera, surgem num arrebatador pop up de odores capaz de nos deixar de queixo caído, quiçá com uma luxação no maxilar, tal é a duração de tão deliciosa característica. Depois, bom, depois é fazer aquilo que vos aprouver sendo que uma noite de sono retemperador é o que mais me resulta, não obstante uma de bom sexo também não é despiciendo.

Compendiando; não gastei os oito euros num gel de banho do Boticário de açaí que prometia lavar tão bem quanto exfoliar, de cheiro duvidoso e com tudo o que essa acção trazia apenso sobretudo ao nível da minha consciência, para ir comprar este, de trinta e quase seis e não podia estar mais feliz. 

Assim sendo, leva com o selo de aprovação da Filipa mesmo no meio das trombas só por causa das tosses.
Não liguem à ramelinha do Guedes, está bem? Era cedinho quando tirei a foto, a Ella ainda não tinha acordado e eu tenho nojinho de ramelas de gatos. Já vos disse que este cabrão não se lambe, que quem o faz é ela, a Ella? 
 
 

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8 comentários

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De ana a 21.06.2014 às 22:41

O Guedes, mesmo com ramelas, é liiiiiiiiido!
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De Susana Rodrigues a 22.06.2014 às 19:22

Muito bom, Filipa!! O creme não faço ideia, mas o teu texto! :-)
(vim aqui à procura de bananinhas, mas levei umas boas gargalhadas, e sim, o Guedes tem ar de saber levar bem a vida)
Beijos,
Susana
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De Filipa Brás a 22.06.2014 às 21:27

Bananinhas, aqui, não há, mas há gatos com a mania que são giros.
:)
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De Filipa Brás a 22.06.2014 às 21:27

:D:D:D
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De A Mais Picante a 22.06.2014 às 21:45

Como não há bananinhas? Como?
Isto é um engodo dos grandes, agora andas aí a dar beijos? E eu lá quero os teus beijos? Bananinhas, Filipa, bananinhas...
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De POC a 23.06.2014 às 02:59

(já não está disponível, mas plágio é isto: http://simaoescuta.blogspot.pt/2012/04/coincidencia-infiltrados.html)
:)
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De Filipa Brás a 23.06.2014 às 03:14

Não acho nada normal, mas enfim.
É que existem maneiras mais bonitas e discretas de chamar burra a um gajo.
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De Filipa Brás a 23.06.2014 às 03:15

Calma.
Eu chego para todas.

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