Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Meco

por Filipa, em 23.01.14
Ouvia eu, muito sossegada cá na minha vida, a reportagem acerca da tragédia do Meco, quando decidem entrevistar duas aventesmas, amigas de uma das vítimas e, a páginas tantas, um dos trambolhos diz que as praxes ensinam a respeitar os outros e a prepará-los para o futuro. 
Eu não fui praxada. Mandei-os para o caralho que não estava para aturar merdas de gajos com idade para serem meus pais mas que andavam ali armados em adultos. Não fui praxada mas vi muita coisa e a maior parte dela não a faria nem a animais. Foi o pior dos anos que lá malhei. Aturar quer a subserviência de quem desespera por ser aceite, quer a autoridade desrespeitosa de quem nunca teve um pingo de educação na puta da sua casa, não é nem nunca foi para mim.
Respostas como esta estúpida deu numa entrevista acerca da morte de uma das suas melhores amigas é, no mínimo, absurda e era gaja para lhe partir os dentes com umas botas de biqueira de aço que tenho ali, guardadas para situações extremas, e lamento o tempo que os pais dela não perderam a fazer a sua obrigação.
Tenho uma pena imensa das vítimas e uma maior das mães e pais destes miúdos. Fico com o coração de fora quando olho para o meu filho e penso que vou ter que chegar a velha e arranjar forças para o defender destas merdas todas, pelo sim pelo não, comecei agora no cálcio, não vá o diabo tecê-las.
Façamos o que os pais do "sobrevivente" acham bem: esperemos que a amnésia selectiva do dux se vá e que diga, finalmente, o que aconteceu. Se as minhas botas forem úteis, disponham.
É só isso que aqueles pais todos querem, saber o que aconteceu aos filhos para, finalmente, poderem descansar em paz.


Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

Sem imagem de perfil

De CM a 23.01.2014 às 12:15

Mais nada. Tal e qual. As praxes são uns assunto que me revolta. Ainda está para aparecer quem me expliquei a utilidade dessa merda, como lhe chamei, lá no estaminé.

Felizmente, não ouvi essa entrevista. Tenho tido dificuldade em acreditae em coisas que leio que saem da boca desses miúdos.
Sem imagem de perfil

De pipinhaeheh a 23.01.2014 às 16:02

A sério que não entendo a mentalidade desta gente.
Sem imagem de perfil

De Mirone a 24.01.2014 às 14:05

Na minha modesta opinião foram irresponsabilidades atrás de irresponsabilidades (de quem praxou e de quem aceitou submeter-se às praxes, se efectivamente as coisas foram como a comunicação social relata), de pouco adianta procurar agora um responsável. Mas não ficava nada mal ao menino da amnésia, ter dito qualquer coisa nos dias imediatamente após os factos, nem que fosse "não me recordo de nada"... Assim, haverá sempre quem considere a sua amnésia conveniente/cobarde ou outra coisa que lhe queiram chamar.
Sem imagem de perfil

De onónimo a 28.01.2014 às 09:03

Subscrevo em absoluto querida Filipa. Também não aceitei a praxe.

Fui arrebanhado no primeiro dia que coloquei os pés na faculdade e quando percebi que aqueles asnos de autoritária capa negra eram burros como uma porta e que nenhuma pedagogia daí resultaria para além da submissão parva de uma manada a um bando de predadores com poder discricionário, acabou logo ali.

E fiquei assustado. Será isto um aluno do 4.º ano? Um tiranete com atitude de retardado?
Felizmente a minha misantropia não se ressentiu com o 'défice de integração'. E as classificações fizeram o resto.

Mas observo um terrível fenómeno. Fazem os pobres neófitos 'rastejar na lama' durante anos e ninguém toma medidas. As faculdades não querem saber, não acompanham os recém chegados para além de uma exígua palestra de recepção, e agora que a tragédia acontece, ao que parece sem qualquer intencionalidade, os media crucificam o sujeito como hienas agarradas ao cadáver de uma gazela. E querem sangue, e, naquele obnóxio pathos típico dos vampiros emocionais que são, exploram todo o sofrimento das famílias até à última gota.

Só vejo uma solução. As faculdades avançam com um plano de integração do novo estudante, assumem essa pequena responsabilidade, e acabam com o poder desses desgraçados, que afinal é tão frágil.
Se os filhos da puta trabalhassem durante o dia e estudassem à noite não teriam tanta folia.

Não te preocupes com o teu João. Quando tiver idade para isso esta patetice já terá terminado há muito.
Que posso fazer? Sou um eterno optimista, embora não pareça.

Beijo, Bela Filipa!
(escreve mais vezes!)

Comentar post






Header gentil e adoravelmente cedido pela

Gaffe