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Vocês vão-me desculpar

por Filipa, em 27.10.15

 

mas eu quero os parabéns todos concentradinhos num só post, que sou pessoa dada à organização.

41 já cá cantam.

Ninguém me dá mais do que 15, é o que me vale.

 

40

por Filipa, em 27.10.14
Mais do que as mazelas do tempo no corpo, a falta de paciência, a mania que sei mais, porque vivi mais, do que os mais novos, esta merda de fazer quarenta anos aborrece-me na medida em que tenho menos tempo para cá andar, menos tempo para ser mãe, menos tempo para ser filha. Isto é coisa para ir dando cabo da cabeça a uma pessoa, sobretudo a de uma com 40 anos, cheia de dores nas cruzes e de bicos de papagaio. 


Foi um ano um bocado enconado, mas no final de todas as somas, não me posso queixar. Tenho um filho lindo-ainda hoje não sei como o fiz, escusam de perguntar- e saudável, um marido à medida-também não sei o que fiz para o merecer- e um trabalho que é uma merda, devido a you know who. Também não sei que raio fiz eu para merecer tal peçonha, mas quero muito acreditar que é Deus, esse tipo com um sentido de humor que, enfim, a equilibrar isto tudo, porque pessoas totalmente felizes e realizadas sucumbem a maus olhados, invejas e afins. O que eu sei é que este ano não foi nada mau e se a minha mãe não tivesse dado entrada hoje (lá está; Deus, no seu melhor) no hospital para uma cirurgia, teria acabado muito melhor.

O próximo vai ser fantástico.

39

por Filipa, em 27.10.13

Hoje é dia 27 de outubro e tal como acontece de há 39 anos para cá, é dia do meu aniversário que é como quem diz opá, estou tão fodida e para o ano ainda vou estar mais.

Gosto de fazer balanços não nos réveillons que estou bêbeda demais para isso, mas quando faço anos. Acho mesmo que um ano novo acontece e passo este dia cheia de esperanças em cenas melhores.
Este ano passou a correr. Engravidei e dei à luz um leitãozinho fofinho, fofinho que é a minha cara chapada. Casei aqui e como se não fosse pouco, casei ali que é como quem diz, fui casar num instantinho ali a Las Vegas. Com o mesmo homem, é obra. Mudei de casa, recebi um novo companheiro no nosso lar, o Guedes, o gato pára-quedista, desvinculei-me de uma empresa filha da puta, que me enchia a cabeça de brancas e não trabalhei um único dia desde então. Fui antes paga para fazer o que amo. Fui a mais concertos do que me orgulho (estava barriguda e talvez não tenha medido bem as consequências. Talvez). Engordei. Emagreci. Engordei e fiquei neste lastimoso estado e este gajo não me ajuda em nada e diz que estou bem boa. Chorei. Meu deus, como chorei, como chorei, não, como choro. Olho para o miúdo, emociono-me, olho para as fotos que me mostram como ele está texugo e emociono-me, cheiro-o, emociono-me, olho para a roupa que nunca mais me há-de servir e emociono-me, olho para a minha gaveta das cuecas e emociono-me. Uma choradeira. Se estiver por aí alguém que tenha passado pelo mesmo e que já se tenha recuperado, dê sinal que eu preciso mesmo de saber que isto é reversível. 
Acho (não nos vamos agarrar a esa hipótese como se estivéssemos a cair, ok?) que estou uma gaja muito mais dócil e menos raivosa. Acho. Já não mordo e já vou tolerando os velhinhos e crianças barulhentas, gajas parvas e pitas rebarbadas, vizinhas cuscas e condutores que nem uma simples rotunda sabem fazer, polícias sem o mínimo de instrução que nem eles próprios sabem como chegaram ali. Continuo a achar, contudo, que deus é um brincalhão do cacete e no último dia deste meu ano tão jeitoso vem-me com a conversa de que Lou Reed tinha partido. E eu, que me iniciei nesta cena da música à séria, de música de gente adulta e com gosto, com as músicas de Lou Reed, emociono-me.




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